A Polícia Civil do Ceará desarticulou um esquema de fraude interestadual que resultou na prisão de três indivíduos em Fortaleza. O trio é acusado de subtrair mais de R$ 1 milhão de vítimas, principalmente servidores públicos, utilizando documentos falsificados. A denúncia do Ministério Público do Ceará (MPCE) detalha a atuação de Lucas Vitor Costa Fontenele, Amanda Rafaela Santos Coutinho e Rodrigo Matheus Muniz da Silva, que foram capturados em flagrante na última semana de abril.
Os acusados teriam operado em pelo menos quatro estados – Piauí, Ceará, Pernambuco e Rio Grande do Sul – além do Distrito Federal, evidenciando a complexidade e a abrangência da rede criminosa. A ação policial ocorreu em uma agência bancária na Avenida Bezerra de Menezes, no bairro São Gerardo, em Fortaleza, onde o grupo foi surpreendido durante a execução de mais um golpe.
A engenharia por trás do golpe interestadual
O modus operandi do grupo, conforme investigações da Polícia Civil, envolvia a exploração do sistema E-GOV. Através dele, os criminosos acessavam documentos virtuais de terceiros, como identidades, Carteiras Nacionais de Habilitação (CNHs), contracheques e comprovantes de endereço. Com essas informações sensíveis em mãos, eles conseguiam abrir contas bancárias fraudulentas, realizar empréstimos consignados e solicitar cartões de crédito em nome das vítimas.
A denúncia do MPCE ilustra a agilidade e a audácia do trio. Em 26 de março de 2026, eles criaram uma conta bancária fraudulenta em nome de uma vítima, obtendo R$ 90 mil por meio de um crédito consignado. Poucos dias depois, em 1º de abril, uma nova vítima teve uma conta fraudulenta aberta, resultando na subtração de R$ 39,1 mil. Além disso, em 27 de abril, uma terceira vítima teve cartões de crédito emitidos em seu nome, utilizados para compras indevidas, cujos valores ainda não foram detalhados.
Alvos preferenciais: servidores públicos e a vulnerabilidade digital
A Polícia Civil destacou que a atuação dos criminosos era focada principalmente em fraudes financeiras contra servidores públicos. Este público, muitas vezes, possui acesso a linhas de crédito mais vantajosas, como os empréstimos consignados, tornando-os alvos atrativos para esquemas de estelionato. A facilidade de acesso a documentos digitais, mesmo que por meios ilícitos, expõe uma vulnerabilidade que o grupo soube explorar.
A abrangência geográfica do golpe, atingindo diversos estados brasileiros, ressalta a natureza sofisticada e organizada da quadrilha. A capacidade de operar em diferentes jurisdições e a utilização de dados de múltiplos indivíduos demonstram um planejamento meticuloso e uma estrutura que permitia a execução de fraudes em larga escala. A apreensão de diversos aparelhos celulares, cartões de crédito e documentos de abertura de contas com os presos reforça a materialidade dos crimes.
Prisão em flagrante e as acusações formais
Os três acusados foram presos em flagrante e conduzidos à Delegacia de Roubos e Furtos (DRF), onde foram autuados por furto, associação criminosa e falsidade ideológica. O Ministério Público do Ceará apontou que as práticas configuram “o delito de estelionato, mediante fraude consistente na utilização de identidade e dados de terceiros para obtenção de vantagem ilícita”, além dos crimes de associação criminosa e falsidade ideológica.
A defesa de Rodrigo Matheus alegou que ele não tinha ciência dos crimes, atuando apenas como motorista. As defesas dos outros dois acusados não se manifestaram até o momento. A prisão do trio foi convertida em preventiva, mantendo-os à disposição da Justiça. Vale ressaltar que Rodrigo Matheus já possui antecedentes por estelionato em Goiás e no Distrito Federal, indicando um histórico de envolvimento em atividades criminosas similares.
O combate a crimes digitais e a segurança dos dados
Este caso sublinha a crescente preocupação com a segurança de dados pessoais e a prevenção de crimes digitais. A sofisticação dos golpes exige uma constante atualização das estratégias de segurança, tanto por parte das instituições financeiras quanto dos órgãos públicos que gerenciam informações sensíveis. A Polícia Civil informou que, em janeiro deste ano, um homem de 43 anos, também integrante do grupo criminoso interestadual, foi condenado pelo crime de invasão de dispositivo informático, demonstrando a continuidade das investigações e o empenho em desmantelar essas redes.
A população, especialmente os servidores públicos, é constantemente alertada sobre a importância de proteger seus dados e desconfiar de contatos e ofertas suspeitas que possam levar ao comprometimento de suas informações financeiras. A colaboração entre as forças de segurança e a conscientização pública são essenciais para mitigar os riscos de ser vítima de fraudes como as praticadas por este trio.
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