A Exposição Agropecuária do Crato (Expocrato), um dos eventos mais tradicionais do Cariri cearense, tornou-se palco de uma polêmica que mobilizou consumidores e órgãos de defesa do direito do consumidor. Dezenas de visitantes utilizaram as redes sociais para denunciar o que classificaram como uma prática abusiva em um stand de doces, onde o valor final dos produtos, após a pesagem, gerou surpresa e constrangimento, com relatos de pagamentos que chegaram a R$ 330.
Mecânica de venda e o impacto no bolso do cliente
A dinâmica do estabelecimento, operado por uma empresa mineira, baseava-se na oferta de doces a R$ 19,90 por cada 100 gramas. Segundo os relatos, o processo de venda ocorria de forma que o cliente era convidado a indicar o tamanho da fatia desejada em uma barra grande, sem uma estimativa clara do peso final. O problema surgia no momento da pesagem: ao descobrir o valor total, muitos consumidores tentavam desistir da compra, mas alegavam sofrer pressão psicológica e constrangimento por parte dos vendedores para que efetuassem o pagamento.
O empresário Breno de Freitas, um dos denunciantes, relatou que foi abordado de forma simpática, mas a situação mudou quando o valor de dois pedaços atingiu R$ 117. Outros casos, como o do criador digital Wellington Barros e do biólogo Márcio Holanda, ilustram a mesma dificuldade: a falta de clareza sobre a gramatura e a impossibilidade imposta pelos vendedores de devolver o produto após o corte, resultando em pagamentos realizados sob pressão para evitar transtornos maiores durante o evento.
Fiscalização e posicionamento das autoridades
Diante da repercussão, o Programa Estadual de Proteção e Defesa do Consumidor (Decon) realizou uma fiscalização no stand nesta quinta-feira (16). O órgão constatou irregularidades na exposição dos preços e na falta de indicação clara sobre o peso dos produtos, o que impedia o consumidor de ter uma noção real do custo antes da finalização da compra. O promotor de Justiça Thiago Marques reforçou que, conforme o Código de Defesa do Consumidor, as informações sobre preço e quantidade devem ser transparentes.
O Decon notificou o estabelecimento para que realize adequações imediatas, como a melhoria na sinalização dos valores e das informações sobre os produtos. Caso as exigências não sejam cumpridas, o stand corre o risco de interdição. Especialistas em direito do consumidor, como o advogado Miguel Augusto Leitão, apontam que a prática induz o cliente ao erro e viola o dever de informação, além de configurar conduta abusiva ao utilizar o constrangimento como ferramenta de venda.
Defesa da empresa e o cenário do evento
Em resposta às acusações, um representante da Doceria Deleites, identificado como Fausto, negou qualquer tentativa de golpe. Em vídeo, o porta-voz argumentou que a empresa atua há anos no mercado e que a impossibilidade de retornar o doce após o corte é uma medida de higiene e segurança sanitária. Segundo a empresa, a escolha do tamanho da fatia é uma liberdade do cliente, e a interpretação negativa seria fruto de um mal-entendido sobre a dinâmica de venda por peso.
A Expocrato, que segue com sua programação até o próximo domingo (19), continua sendo um ponto de encontro importante para a economia e cultura regional. O episódio serve como um alerta para a importância da vigilância constante nas relações de consumo, especialmente em ambientes de grande circulação. O News BV segue acompanhando os desdobramentos desta fiscalização e reafirma seu compromisso em trazer informações relevantes, checadas e fundamentadas sobre os fatos que impactam o cotidiano da nossa sociedade. Continue conectado para atualizações sobre este e outros temas de interesse público.