Tradição do caldo de cana e derivados atrai multidões na Expocrato
Reprodução G1
Tradição do caldo de cana e derivados atrai multidões na Expocrato

A Exposição Agropecuária do Crato (Expocrato), um dos eventos mais tradicionais do Cariri cearense, continua a encantar seus visitantes não apenas com a diversidade de animais e artesanato, mas também com uma atração que remete às raízes da cultura local: o engenho de cana-de-açúcar. Localizado no Parque de Exposições Pedro Felício Cavalcanti, o espaço se tornou um ponto de parada obrigatório para quem busca o sabor autêntico do caldo de cana fresco e outros produtos derivados, celebrando uma tradição que se mantém viva a cada edição da feira.

Desde as primeiras horas da manhã, por volta das 6h30, até o final da noite, por volta das 22h30, o engenho pulsa com a energia dos trabalhadores e a curiosidade dos visitantes. A movimentação intensa é um testemunho da popularidade desses produtos, que vão além do simples refresco, representando um elo com a história e a identidade da região. A expectativa é que, até o encerramento da exposição, cerca de 95 toneladas de cana-de-açúcar sejam processadas, transformando-se em iguarias que agradam a todos os paladares.

O Sabor da Tradição: Caldo de Cana e Seus Derivados

No coração da Expocrato, o engenho oferece uma experiência sensorial completa. O aroma adocicado da cana recém-moída paira no ar, convidando os visitantes a provarem não só o famoso caldo, mas também uma variedade de outros produtos artesanais. Além do líquido dourado e refrescante, que muitos apreciam acompanhado de um pastel, o local produz rapadura, batida, mel e alfenim, todos feitos na hora, conforme a demanda.

Essa produção em tempo real garante a frescura e a qualidade dos itens, reforçando o caráter artesanal e tradicional do engenho. Para muitos, como o professor Érico Robson, a visita ao engenho já se tornou um ritual familiar. Ele, que comparece anualmente com sua mãe de 88 anos, irmã e companheira, destaca o valor afetivo da experiência. “Já virou uma tradição vir todo ano. Comer um pastel com caldo de cana é sempre gratificante. É uma maneira de juntar a família. E aqui, o engenho, remete à infância, à tradição”, comenta Érico, sublinhando a importância cultural e social do espaço.

Da Plantação ao Copo: A Logística da Doçura

A matéria-prima que abastece o engenho da Expocrato tem origem no distrito de Arajara, localizado em Barbalha, cidade vizinha ao Crato. A escolha por cana-de-açúcar de produtores locais não só garante a qualidade do produto final, mas também fortalece a economia regional, conectando o campo à feira e valorizando o trabalho dos agricultores. A chegada da cana em grandes volumes e sua moagem contínua demonstram a escala da operação e a alta demanda dos consumidores.

A logística por trás dessa doçura é um exemplo de como eventos como a Expocrato podem impulsionar cadeias produtivas locais, gerando renda e visibilidade para os produtos da terra. A expectativa de uso de quase 100 toneladas de cana-de-açúcar reflete não apenas o sucesso comercial, mas também a capacidade de organização e a relevância do engenho como um polo de atração e consumo dentro da feira.

O Coração do Engenho: Trabalho, História e Sucessão

Por trás da doçura dos produtos, há um trabalho árduo e dedicado. A vendedora Maria Celene do Nascimento, em sua primeira experiência no engenho, descreve o ritmo intenso: “É muito trabalho, cansativo, mas é muito bom. Todos os dias têm muita movimentação. Eu faço tudo aqui, chego de sete e meia da manhã e, até ter movimento, tô por aqui.” Sua energia reflete o entusiasmo de quem participa de um evento tão significativo.

A alma do engenho, no entanto, é personificada por Paulo Calixto, um dos responsáveis pelo espaço. Aos 71 anos, Paulo é um guardião da tradição, trabalhando incansavelmente para agilizar a produção e compartilhando memórias de tempos passados. Ele relembra os primórdios do engenho na exposição, quando a máquina funcionava a vapor, com

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