A decisão judicial de conceder liberdade provisória a um policial militar acusado de assassinar uma mulher em um posto de gasolina na cidade de Cariré, no interior do Ceará, provocou forte reação e debate no estado. O caso, que envolve o soldado Caio Filizola de Paiva, de 36 anos, e a vítima Luena Rocha Melo, de 33 anos, levanta questões cruciais sobre a impunidade, a violência contra a mulher e a atuação do sistema de justiça.
O secretário estadual de Segurança Pública do Ceará, Roberto Sá, expressou publicamente sua discordância com a soltura, enfatizando a necessidade de rigor no combate à impunidade. O episódio, ocorrido na madrugada de 06 de julho, ganhou contornos ainda mais graves ao revelar um histórico de desavenças e agressões prévias entre o PM e a vítima, que deixa dois filhos.
O crime em Cariré e o histórico de violência
Na madrugada de 06 de julho, a tranquilidade de um posto de gasolina em Cariré foi quebrada por um ato de violência fatal. O soldado Caio Filizola de Paiva, que estava à paisana e consumia bebida alcoólica, se desentendeu com Luena Rocha Melo e disparou um tiro contra ela, atingindo-a no pescoço. A vítima morreu no local, e o policial foi detido em flagrante e levado à Delegacia de Sobral.
Familiares de Luena Rocha Melo, em depoimentos emocionados à TV Verdes Mares, relataram um preocupante histórico de agressões e desavenças entre a vítima e o policial. A mãe de Luena, Lúcia Rocha, afirmou que a filha “não gostava porque ele já tinha batido nela, isso já foi a terceira vez”. Ela revelou que boletins de ocorrência foram registrados anteriormente, mas, segundo suas palavras, “não deu em nada”, evidenciando uma falha na proteção da vítima.
A tia de Luena, Euceleni Maria de Oliveira, corroborou o histórico de brigas, lamentando a morte de uma “mãe de família” que estaria sob medicações. O namorado da vítima, Hilton Fernandes, que estava no local e pediu para Luena ir para casa momentos antes do disparo, disse ter escutado o tiro assim que ela virou as costas, desconhecendo a motivação exata do desentendimento naquele momento.
Soltura provisória de PM gera debate no Ceará
Apesar da gravidade dos fatos, Caio Filizola de Paiva foi liberado em audiência de custódia realizada em 06 de julho. O juiz João Gabriel Amanso da Conceição justificou a decisão alegando que o acusado é “tecnicamente primário” e que não havia sido demonstrada, de forma suficiente, a necessidade de mantê-lo preso preventivamente até o julgamento. A decisão impôs, contudo, uma série de medidas cautelares ao policial.
Entre as medidas estão a obrigação de manter o endereço atualizado, a proibição de se ausentar da comarca por mais de oito dias, o comparecimento a todos os atos do processo, o uso de tornozeleira eletrônica por 240 dias, recolhimento domiciliar a partir das 20h até as 5h do dia seguinte, e a proibição de frequentar bares, festas, casas noturnas e serestas. O Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE) confirmou a liberdade provisória, ressaltando que a medida pode ser modificada em fase recursal.
Repercussão e posicionamento das autoridades
A soltura do policial militar gerou imediata repercussão e posicionamentos firmes das autoridades. O secretário Roberto Sá, em pronunciamento na manhã de 07 de julho, durante a apresentação dos dados de segurança pública do primeiro semestre de 2026 – período que ele classificou como o menos violento na história do estado –, declarou: “Não concordamos com a soltura”. Ele defendeu o rigor e o combate à impunidade, sugerindo que o Ministério Público recorra da decisão.
A Polícia Militar do Ceará (PMCE) informou que Caio Filizola estava de licença para tratamento de saúde e que, após ser autuado em flagrante por homicídio, passou mal a caminho do presídio militar, sendo socorrido e permanecendo sob escolta hospitalar. A corporação reforçou que “não compactua com desvios de conduta” e que a Controladoria Geral de Disciplina (CGD) instaurou um procedimento administrativo disciplinar, determinando o afastamento preventivo do agente.
Em nota, a defesa de Caio Filizola, representada pelo advogado Leonardo Herbert, lamentou o falecimento de Luena Rocha Melo e afirmou que o acusado está à disposição da justiça, cooperando com os atos processuais. A defesa declarou que se manifestará sobre os fatos nos autos do processo, respeitando o rito legal. Para mais detalhes sobre o caso, você pode consultar a cobertura original no G1 Ceará.
O caso de Luena Rocha Melo reacende o debate sobre a eficácia das medidas protetivas e a responsabilização de agentes públicos envolvidos em crimes, especialmente em contextos de violência doméstica ou de gênero. A comunidade e as autoridades seguem atentas aos desdobramentos deste trágico episódio, que expõe as complexidades do sistema judicial e a busca por justiça para as vítimas. Para mais informações sobre este e outros temas relevantes, continue acompanhando o News BV, seu portal de notícias com informação atualizada, contextualizada e de qualidade, que se compromete a trazer a você a profundidade necessária para entender os fatos que impactam a sociedade.