Foto: TV Globo/Reprodução
Foto: TV Globo/Reprodução
Foto: TV Globo/Reprodução

O relato de uma sobrevivente

Ana Clara Antero de Oliveira, de 21 anos, quebrou o silêncio sobre o violento ataque que sofreu no dia 1º de maio, em Quixeramobim, no interior do Ceará. Em um depoimento marcado pela força e superação, a jovem revelou que permaneceu consciente durante todo o período da agressão, na qual teve as mãos decepadas pelo próprio cunhado. Para sobreviver à investida brutal, Ana Clara utilizou uma estratégia desesperada: fingiu estar morta enquanto era atacada com uma foice.

“Não dormi, estava consciente o tempo todo. Eu estava com muita dor, mas eu só vim dormir mesmo quando cheguei no hospital e me sedaram para a cirurgia”, relembrou a estudante em entrevista à TV Verdes Mares. O caso, que chocou o estado e repercutiu nacionalmente, é tratado pelas autoridades como uma tentativa de feminicídio, motivada por uma discussão com o então namorado da vítima.

A dinâmica do crime e o socorro

O episódio de violência teve início após uma briga entre Ana Clara e seu ex-companheiro, Ronivaldo Rocha dos Santos, de 40 anos. Segundo o relato da vítima, a discussão escalou após um desentendimento durante um passeio. Ao retornar para casa, a jovem foi surpreendida pela chegada do irmão de Ronivaldo, Evangelista Rocha dos Santos, de 34 anos, que invadiu a residência armado com uma foice.

Após o ataque, que resultou em ferimentos graves não apenas nas mãos, mas também no rosto, ombros e pernas, o agressor fugiu. Incapaz de usar as mãos para buscar ajuda, Ana Clara conseguiu pedir socorro gritando. Um vizinho, que é médico, prestou os primeiros atendimentos e acionou o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e a polícia, garantindo que a jovem fosse levada a tempo para o Hospital Instituto Doutor José Frota (IJF), em Fortaleza.

Recuperação e o apoio da tecnologia

Após passar por uma cirurgia complexa de 12 horas para o reimplante das mãos, Ana Clara segue em um processo de recuperação multidisciplinar, que envolve fisioterapia e acompanhamento psicológico. A determinação da jovem tem surpreendido a equipe médica. Quinze dias após o procedimento, ela já apresenta movimentos graduais nos dedos.

Um detalhe que tem chamado a atenção é a adaptação da vítima: com o auxílio de familiares, Ana Clara aprendeu a utilizar os dedos dos pés para manusear o celular. Essa nova habilidade permitiu que ela mantivesse contato com amigos e acompanhasse o apoio de seus mais de 30 mil seguidores nas redes sociais, tornando-se um símbolo de resiliência diante de um trauma extremo.

Andamento do processo judicial

A investigação policial avançou rapidamente após o crime. A localização dos suspeitos foi possível graças a informações fornecidas pelo próprio pai dos agressores, que recebeu mensagens de um dos filhos logo após o ataque. Evangelista foi preso em Quixeramobim, onde foram encontrados vestígios de sangue, enquanto Ronivaldo foi detido no município de Madalena.

O Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE) já aceitou a denúncia contra os dois irmãos, que agora respondem como réus por tentativa de feminicídio. O Ministério Público do Ceará (MPCE) solicitou uma indenização de R$ 97 mil para a vítima, valor que ainda será definido pela Justiça. O caso, que tramita em segredo de justiça, segue sem prazo definido para julgamento.

O News BV continua acompanhando os desdobramentos deste caso, comprometido em levar aos seus leitores informações apuradas e relevantes sobre segurança pública e direitos humanos. Mantenha-se informado conosco sobre este e outros temas que impactam a sociedade brasileira.

Para mais detalhes sobre o atendimento às vítimas de violência, consulte o portal oficial do Ligue 180.

Destaques 

Relacionadas

Menu