auditores-fiscais do Trabalho no dia 23 de junho e divulgada nesta terça-feira (
Reprodução G1
auditores-fiscais do Trabalho no dia 23 de junho e divulgada nesta terça-feira (

Condições degradantes e precariedade em canteiro de obras

Uma operação conjunta realizada em Aquiraz, na Região Metropolitana de Fortaleza, resultou no resgate de 26 trabalhadores que atuavam em condições análogas à escravidão. A ação, conduzida por auditores-fiscais do Trabalho no dia 23 de junho, teve seus detalhes divulgados publicamente nesta terça-feira (1º). O caso ocorreu em um canteiro de obras de um empreendimento residencial horizontal, que previa a construção de mais de 100 casas.

As equipes de fiscalização realizaram vistorias minuciosas tanto na área de construção quanto nos alojamentos destinados aos operários. O cenário encontrado foi descrito como degradante, com graves falhas de habitabilidade. Os trabalhadores viviam em espaços superlotados, com calor excessivo, falta de privacidade e ausência de instalações sanitárias adequadas. Além disso, foram identificadas instalações elétricas improvisadas, que colocavam a integridade física dos envolvidos em risco constante.

Recrutamento e dependência da estrutura empresarial

A investigação revelou que os operários foram recrutados em diversos municípios cearenses, incluindo Marco, Massapê, Beberibe, Amontada e a capital, Fortaleza. Após serem transportados para o local da obra, os trabalhadores passaram a depender inteiramente da estrutura fornecida pela empresa para alimentação, moradia e permanência na região, o que dificultava qualquer tentativa de saída ou autonomia.

Além das condições de moradia, a fiscalização apontou riscos graves e iminentes em máquinas e andaimes utilizados no canteiro. Devido à insegurança técnica, os auditores determinaram a interdição imediata das atividades. A operação contou com o suporte estratégico do Ministério Público do Trabalho (MPT), da Polícia Federal (PF) e da Secretaria de Direitos Humanos do Ceará.

Reparação de direitos e assistência social

Após o resgate, os trabalhadores foram afastados das atividades e incluídos em protocolos de proteção. O processo de reparação incluiu o pagamento de cerca de R$ 216 mil em verbas rescisórias, realizado no dia 30 de junho, garantindo os direitos trabalhistas básicos que haviam sido negligenciados. Os operários também foram habilitados ao seguro-desemprego específico para trabalhadores resgatados e encaminhados para atendimento pela rede de assistência social.

A equipe de fiscalização informou que as negociações referentes aos danos morais individuais ainda estão em andamento. O caso reforça a importância da vigilância constante em grandes projetos de infraestrutura e construção civil, onde a vulnerabilidade social de trabalhadores recrutados em cidades do interior é frequentemente explorada. O News BV segue acompanhando os desdobramentos desta investigação e os próximos passos das autoridades competentes para garantir a justiça e a dignidade dos trabalhadores afetados.

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