Um adolescente em Fortaleza, Ceará, viveu momentos de grave risco após consumir uma perigosa mistura de álcool e medicamentos conhecida como “purple drank” ou “lean” dentro de sua escola. O jovem levou mais de um dia, cerca de 30 horas, para recuperar a consciência e apresentar diminuição dos efeitos da substância. O incidente, ocorrido na última quinta-feira (21), no Colégio Antares, no bairro Papicu, mobilizou a família, a instituição de ensino e as autoridades policiais, levantando um alerta sobre os perigos do consumo dessas substâncias entre jovens.
A mãe do adolescente, que preferiu não ser identificada, compartilhou o drama vivido pela família. Seu filho precisou ser internado em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) de um hospital particular da capital cearense, onde permaneceu sob monitoramento médico intensivo devido à baixa frequência cardíaca e ao estado de desorientação profunda. “Ele ainda está com lentidão, não está 100%. O médico fez uns testes hoje [sábado], mas ele não conseguiu se sair bem em todos. Ele foi acordar meio-dia de ontem [sexta]… Depois de 30 horas”, relatou a mãe, evidenciando a gravidade da intoxicação.
Os perigos do ‘purple drank’ e a complexidade da mistura
O “purple drank”, também chamado de “lean”, é uma mistura ilícita que ganhou popularidade, especialmente entre a população jovem, por seus efeitos sedativos. Tradicionalmente, é composto por xaropes para tosse à base de codeína, fármacos anti-inflamatórios e refrigerante, resultando em uma “bebida roxa”. No caso do adolescente de Fortaleza, a mistura consumida foi ainda mais complexa e perigosa, incluindo bebida alcoólica (gin), três classes diferentes de anti-histamínicos (como Fenergan), dipirona, ibuprofeno e outras cinco medicações não especificadas.
O médico Bruno Cavalcante, que atendeu o jovem, alertou sobre a potencialização dos efeitos quando esses medicamentos, aparentemente inofensivos em uso isolado, são combinados com álcool. “Acaba levando, catalizando, potencializando o efeito desses anti-histamínicos”, explicou o especialista. Essa combinação pode causar uma sedação cerebral severa, desaceleração da respiração, queda brusca da pressão arterial, coma e, em casos extremos, parada cardiorrespiratória. A desorientação e a letargia observadas no adolescente são sintomas claros dessa perigosa interação.
A resposta do colégio e a investigação em curso
O Colégio Antares, onde o incidente ocorreu, emitiu uma nota informando que o caso “está sendo devidamente tratado”. A instituição afirmou que, assim que a situação foi identificada, as famílias dos envolvidos foram acionadas, o encaminhamento médico necessário foi providenciado e um boletim de ocorrência foi registrado junto às autoridades competentes. A escola reiterou seu compromisso em colaborar integralmente com a Polícia Civil do Ceará, que investiga o caso. Equipes da Polícia Militar, do Comando de Prevenção e Apoio às Comunidades (Copac), foram acionadas e acompanharam a ocorrência, encaminhando pessoas da instituição para a Delegacia da Criança e do Adolescente (DCA) para prestar depoimento.
A Secretaria da Segurança Pública do Ceará confirmou a atuação das forças de segurança no atendimento à ocorrência. O processo de investigação busca esclarecer as circunstâncias em que a substância foi preparada e consumida, bem como identificar todos os envolvidos. Em respeito aos envolvidos e ao sigilo do processo, o colégio informou que não fornecerá informações adicionais neste momento.
Alerta aos pais: vigilância e sinais de perigo
A mãe do adolescente fez um apelo emocionado aos pais, reforçando a necessidade de vigilância constante. Ela destacou que, apesar de sua família ser muito presente e o filho ser um garoto tranquilo, sem histórico de uso de substâncias, o incidente aconteceu. “Nós somos muito presentes. Então, não é porque você é um pai presente que lhe deixa imune a acontecer esse tipo de coisa. A vigilância tem que ser muito grande”, alertou. Ela enfatizou que, por mais que os pais orientem e protejam, há momentos em que os filhos precisam fazer suas próprias escolhas e estabelecer seus limites.
O Dr. Bruno Cavalcante também reforçou a importância de os pais estarem atentos a sinais que vão além do cheiro de álcool. Sinais como sonolência excessiva, dificuldade em permanecer acordado, problemas de coordenação motora, fala desarticulada e desorientação são indicativos de intoxicação grave. O médico ainda aconselhou a verificar a falta de medicamentos comuns em casa, como os anti-histamínicos e analgésicos citados, que podem ser desviados para a preparação dessas misturas perigosas. A conscientização sobre os riscos e a comunicação aberta com os filhos são ferramentas essenciais na prevenção de tragédias como essa.
Para mais informações sobre saúde e segurança, consulte fontes confiáveis como a Organização Mundial da Saúde.
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