ariamente por 30 dias, em uma investigação da Polícia Civil por tráfico de droga
Reprodução G1
ariamente por 30 dias, em uma investigação da Polícia Civil por tráfico de droga

O proprietário de um terreno onde foi descoberta uma vasta plantação de maconha no Ceará, João Holanda Neto, foi detido temporariamente por 30 dias na tarde desta quinta-feira (2). A prisão ocorreu no contexto de uma investigação da Polícia Civil por tráfico de drogas e associação para o tráfico. Momentos antes de se apresentar à delegacia para depor e ter o mandado de prisão cumprido, Holanda Neto publicou um vídeo emocionado, no qual implora para que o arrendatário da propriedade se entregue às autoridades.

A descoberta da plantação, que totalizava cerca de 290 mil pés de maconha e aproximadamente 5 toneladas da droga, chocou a região e gerou uma série de desdobramentos, incluindo denúncias de falhas na custódia do local e a abertura de múltiplas investigações. O caso lança luz sobre a complexidade das operações de combate ao narcotráfico e as responsabilidades legais envolvidas no arrendamento de terras.

A Defesa e o Apelo Emocional do Proprietário

A advogada de João Holanda Neto, Maria Lopes, defende que seu cliente não tinha conhecimento da atividade ilícita em sua propriedade. Segundo a defesa, o terreno foi arrendado em outubro de 2023, com o contrato formalizado em janeiro de 2024. Lopes afirma que, desde a formalização do aluguel, João não teria adentrado as terras, limitando-se a ir até a frente da propriedade, onde mantinha uma pequena casa para guardar pertences, sem visibilidade para a plantação.

No vídeo divulgado pela defesa, João Holanda Neto aparece visivelmente abalado, chorando e fazendo um apelo direto ao arrendatário. “Eu peço até pela alma de sua mãe, de seus filhos”, diz ele, expressando sua decepção. “Eu pensando que você era uma [boa] pessoa. E você faz isso comigo? Você conhece a gente há mais de 15 anos, tomava café na casa da minha mãe. Pelo amor de Deus, se apresente. Como você faz uma coisa dessa comigo? Você é de casa. Se eu soubesse que era para uma coisa dessa comigo, eu jamais faria [o contrato].” A advogada reforça na legenda do vídeo que João é apenas um dos donos da terra e que se apresentou voluntariamente, ciente do mandado de prisão.

A Megaoperação e a Controvérsia da Custódia

A plantação de maconha foi descoberta em 25 de junho, na cidade de Acopiara, no interior do Ceará. Na ocasião, os agentes localizaram cerca de 160 mil pés da droga em fase de cultivo e outros 130 mil pés já colhidos, totalizando as estimadas 5 toneladas. No local, foram encontrados acampamentos com indícios de que os suspeitos haviam fugido recentemente, deixando até mesmo feijão cozinhando em uma panela.

A operação, no entanto, foi seguida por uma grave denúncia. O deputado federal André Fernandes (PL) visitou o local em 27 de junho e alegou que a área havia sido abandonada pela polícia, com grande parte da plantação e da droga colhida ainda no sítio, além de materiais como celulares e cadernos de anotações que deveriam ter sido recolhidos como prova. A Polícia Civil chegou a divulgar um vídeo da plantação sendo derrubada por tratores e incinerada no próprio local, mas as imagens não dissiparam as dúvidas sobre a custódia inicial.

Repercussão Política e Múltiplas Investigações

As denúncias de falha nos procedimentos de custódia levaram o governador do Ceará, Elmano de Freitas (PT), a visitar a fazenda em 29 de junho, acompanhado de secretários e chefes das forças de segurança. O governador classificou a denúncia como “muito grave” e prometeu apurar “absolutamente tudo”, garantindo que a Polícia Civil permaneceria no local até a destruição completa da plantação. Ele também questionou publicamente as falas do deputado André Fernandes, que sugeriu uma interrupção da operação.

Em resposta à repercussão, a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS) informou que investigará as supostas falhas nos procedimentos. A Controladoria Geral de Disciplina do Ceará (CGD) também abriu um procedimento disciplinar, por determinação do governador, para apurar a conduta dos policiais responsáveis pela preservação do sítio. O Ministério Público do Ceará (MPCE), por meio do Gaesp e Gaeco, acompanha as investigações para assegurar a devida apuração dos fatos. O deputado André Fernandes, por sua vez, protocolou a denúncia na Polícia Federal, que não comenta investigações em andamento.

O Arrendatário e os Próximos Passos da Justiça

Enquanto João Holanda Neto cumpre prisão temporária, a Polícia Civil segue em busca do arrendatário da propriedade, cuja identidade não foi divulgada. A família de João, incluindo seu sobrinho Fabrício Holanda, negou qualquer envolvimento com a droga e afirmou que o proprietário, que estaria em tratamento contra um câncer de pele, não tinha conhecimento do cultivo. Eles se comprometeram a entregar o contrato de arrendamento às autoridades.

O caso ressalta a importância da diligência na formalização de contratos de arrendamento e a responsabilidade legal dos proprietários de terras. As investigações em andamento buscam não apenas responsabilizar os envolvidos no tráfico de drogas, mas também esclarecer as denúncias de falha na operação policial, garantindo a transparência e a integridade das ações do Estado. Para mais informações sobre este e outros casos de segurança pública, continue acompanhando as atualizações do News BV, seu portal de notícias comprometido com informação relevante e contextualizada. Visite também o site oficial da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará para mais detalhes sobre as ações de combate ao crime no estado.

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