estuprar e dopar mulher em sessão de terapia com ‘substâncias naturais’ e hipnos
Reprodução G1
estuprar e dopar mulher em sessão de terapia com ‘substâncias naturais’ e hipnos

Um casal de idosos, condenado pelo crime de estupro de vulnerável contra uma funcionária em Fortaleza, foi detido nesta quarta-feira (17) na cidade de Quixadá, no interior do Ceará. A prisão, efetuada pela Delegacia de Defesa da Mulher de Quixadá, marca um novo capítulo em um caso que chocou pela forma como o abuso foi perpetrado, envolvendo uma suposta sessão de terapia com hipnose e substâncias psicoativas.

As investigações revelaram que a vítima, que trabalhava como dama de companhia na residência do casal, foi submetida a um processo manipulador que culminou no estupro. O caso ressalta a complexidade e a gravidade dos crimes de abuso de poder e violência sexual, especialmente quando a vulnerabilidade da vítima é explorada.

A prisão e o histórico judicial do casal

O homem, de 80 anos, e a mulher, de 61, cujas identidades não foram divulgadas, já haviam sido condenados pelo crime de estupro de vulnerável. Anteriormente, eles cumpriam a pena em regime de monitoramento eletrônico, utilizando tornozeleiras. No entanto, a Justiça expediu um novo mandado de prisão, resultando na sua detenção.

O Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE) foi procurado para esclarecer os motivos do decreto de prisão, mas informou que processos envolvendo crimes contra a dignidade sexual tramitam sob segredo de justiça. Essa medida visa proteger a privacidade e a integridade das vítimas, embora limite a divulgação de detalhes específicos do andamento processual.

A condenação por estupro de vulnerável é aplicada quando a vítima não tem condições de oferecer resistência, seja por enfermidade, deficiência mental ou, como neste caso, por ter sua capacidade de discernimento ou resistência reduzida por qualquer outra causa, como o uso de substâncias ou hipnose.

Os detalhes perturbadores da ‘sessão de terapia’

O crime ocorreu em 2021, na capital cearense. A vítima, então funcionária do casal, foi coagida a participar de uma sessão que os acusados descreveram como “psicobioenergética”. O processo, conforme apurado, começou com perguntas de cunho constrangedor e um pedido para que a mulher fizesse um desenho de si própria, um prelúdio para a manipulação que se seguiria.

Posteriormente, a funcionária foi orientada a deitar-se em uma cadeira de atendimento, onde foi submetida a uma sessão de hipnose. Em seguida, foi instruída a ingerir gotas de “substâncias naturais”, cuja composição não foi revelada pelas autoridades, mas que a deixaram em estado de sonolência e, consequentemente, vulnerável. Nesse estado, a vítima sofreu toques em regiões íntimas.

A situação escalou quando a mulher foi levada para um dos quartos do imóvel, onde foi orientada a tirar a própria roupa e, em seguida, foi estuprada. A investigação da Polícia Civil foi minuciosa e culminou na condenação dos acusados, evidenciando a premeditação e o abuso de confiança e poder por parte dos patrões.

O impacto do crime e a proteção da vítima

Casos de estupro, especialmente aqueles que envolvem abuso de poder e manipulação psicológica, deixam marcas profundas nas vítimas. A atuação da Delegacia de Defesa da Mulher de Quixadá na prisão dos condenados reforça o compromisso das autoridades em combater a violência de gênero e garantir que os agressores sejam responsabilizados por seus atos. A proteção da vítima, que teve sua identidade preservada, é fundamental para sua recuperação e para o andamento da justiça.

Após o cumprimento do mandado, os idosos foram levados à Delegacia de Defesa da Mulher de Quixadá e, posteriormente, encaminhados à Delegacia de Polícia Civil da mesma cidade, onde permanecem à disposição da Justiça. Este desfecho, embora tardio para a vítima, representa um passo importante na garantia da aplicação da lei e na defesa dos direitos humanos.

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