Após um longo período marcado por polêmicas, mudanças de projeto e sucessivos atrasos, o cenário para o abastecimento hídrico no Ceará ganha um novo capítulo. A Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece) oficializou, nesta quinta-feira (16), a assinatura do termo de autorização para o início das obras da usina de dessalinização de Fortaleza, popularmente chamada de Dessal do Ceará. A expectativa é que o canteiro de obras ganhe movimento efetivo em cerca de 60 dias, com a entrega da estrutura prevista para o segundo semestre de 2028.
A tecnologia por trás da segurança hídrica
O projeto, que será instalado na Praia do Futuro, utilizará a tecnologia de osmose reversa para converter a água do mar em água potável. Quando estiver em pleno funcionamento, a planta terá capacidade de dessalinizar 1 mil litros por segundo, suprindo aproximadamente 12% da demanda hídrica da capital cearense. O empreendimento é visto como um marco para o país, sendo a primeira planta de grande porte voltada ao abastecimento populacional no Brasil.
Além da estrutura principal de tratamento, o cronograma de obras contempla a construção de sistemas complexos de captação no oceano e adutoras estratégicas. Estas estruturas serão responsáveis por levar a água tratada até as estações do Mucuripe, no Morro Santa Teresinha, e da Praça da Imprensa, no bairro Aldeota, garantindo a distribuição para a rede urbana.
Desafios logísticos e a mudança de local
Um dos pontos mais críticos que atrasaram o cronograma foi o embate com empresas de telecomunicações. A preocupação central residia na proximidade da usina com os cabos submarinos de fibra ótica que chegam à Praia do Futuro. Como este ponto da costa cearense é a principal porta de entrada da internet que conecta o Brasil ao restante do mundo, o temor de um possível dano estrutural durante a instalação da captação de água gerou um intenso debate público.
Para mitigar riscos e atender às exigências técnicas, o Governo do Estado optou por deslocar o projeto. A nova localização dista mais de 1 mil metros do ponto originalmente planejado. Segundo Neuri Freitas, presidente da Cagece, a mudança exigiu novos estudos aprofundados sobre correntes marinhas e qualidade da água, além de um novo processo de licenciamento ambiental, o que impactou diretamente o cronograma original que previa a conclusão para 2025.
Investimentos e impacto social
O projeto é conduzido por meio de uma parceria público-privada (PPP) com o consórcio Águas de Fortaleza, composto pelas empresas Marquise S/A, PB Construções LTDA e Abegoa Água S/A. O investimento total previsto supera os R$ 3 bilhões. Para viabilizar a instalação no novo terreno, foi necessária a desapropriação de 29 famílias, que receberam as devidas indenizações, além da previsão de construção de uma nova Areninha como compensação social para a comunidade local.
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