O desfecho de um processo judicial complexo
O Tribunal do Júri da Comarca de Fortaleza proferiu, no último dia 15 de abril, a sentença de absolvição da esteticista Ariane Bandeira Feitosa, de 35 anos. Ela respondia a uma acusação de homicídio qualificado referente à morte de Daniel da Costa Barros, ocorrida em março de 2020, no bairro Bonsucesso, na capital cearense. O resultado do julgamento, realizado via videochamada, foi oficializado pela defesa nesta sexta-feira (12).
justiça: cenário e impactos
O caso ganhou repercussão internacional devido à prisão de Ariane em Londres, na Inglaterra, em 2022. A operação que resultou na detenção da esteticista contou com uma força-tarefa composta pela Polícia Civil do Ceará (PCCE), Polícia Federal (PF), Interpol e a Polícia Metropolitana de Londres. Após o cumprimento do mandado de prisão preventiva, a ré aguardou o desenrolar do processo, que agora culmina na sua inocência declarada pelo conselho de sentença.
Entenda os fatos e a dinâmica do ocorrido
Na data do incidente, Ariane, que residia em Londres, estava em Fortaleza para uma visita familiar. Ela e Daniel, de 28 anos, tiveram um encontro romântico que terminou de forma trágica. Segundo relatos da defesa, ao notar que o homem passava mal, a esteticista acionou imediatamente o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e as autoridades policiais.
Embora tenha sido detida em flagrante na época, Ariane foi liberada após audiência de custódia. O cenário mudou quando a Perícia Forense apontou a causa da morte como asfixia mecânica, levando o Ministério Público do Ceará (MPCE) a oferecer denúncia por homicídio qualificado. A tese acusatória, contudo, enfrentou contestações técnicas severas durante a instrução processual.
Argumentos técnicos e a reviravolta no júri
Durante o julgamento, a defesa, representada pelos advogados Paulo Quezado e Pedro Aquino, apresentou elementos periciais que colocaram em xeque a tese de crime violento. De acordo com os autos, Daniel teria ingerido um inseticida conhecido como Metomil. A substância provocou convulsões severas, as quais teriam causado a fratura do osso hioide, resultando na asfixia fatal.
Os advogados enfatizaram que não foram encontrados sinais de violência externa no pescoço da vítima, nem material genético de Ariane sob as unhas de Daniel, o que seria esperado em um cenário de luta corporal. Diante da fragilidade das evidências que sustentavam a acusação, o próprio Ministério Público do Ceará manifestou-se pela absolvição da ré durante a sessão do júri.
Repercussão e compromisso com a informação
A decisão do Tribunal do Júri encerra um capítulo de incertezas jurídicas para a esteticista, que acompanhou todo o rito processual à distância. O caso destaca a importância da análise pericial rigorosa em processos criminais, garantindo que o veredicto seja fundamentado em evidências científicas e não apenas em suposições.
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