Um paciente que estava sob escolta da Polícia Militar conseguiu fugir do Hospital Instituto Doutor José Frota (IJF), em Fortaleza, neste domingo (5), utilizando uma corda improvisada feita com lençóis. O incidente, que já é o segundo do tipo em apenas um mês na mesma unidade, levanta sérias questões sobre a segurança em hospitais públicos e a eficácia dos protocolos de escolta policial.
A fuga ocorreu de maneira engenhosa e audaciosa. Para deixar a unidade hospitalar sem ser notado, o homem utilizou a janela de um dos banheiros. Com a corda improvisada, popularmente conhecida como “teresa”, ele desceu pela estrutura do prédio até alcançar a rua, evadindo-se da custódia policial e médica.
A engenhosidade da fuga e a vulnerabilidade exposta
A técnica da “teresa”, um método conhecido em ambientes prisionais para fugas, demonstra a determinação do paciente em escapar. A utilização de lençóis para criar uma corda resistente e a escolha de uma janela de banheiro, que muitas vezes oferece menor visibilidade e segurança, revelam uma falha na vigilância e nos procedimentos de contenção. Este tipo de fuga ressalta a vulnerabilidade de ambientes hospitalares, que, por sua natureza, não são projetados com a mesma robustez de segurança que uma unidade prisional.
O Hospital Instituto Doutor José Frota, sendo o maior hospital de urgência e emergência do Ceará, lida diariamente com uma alta demanda de pacientes, incluindo aqueles que necessitam de escolta policial. A complexidade de conciliar o tratamento médico com a segurança de indivíduos sob custódia impõe um desafio constante às equipes de saúde e às forças de segurança.
Fuga IJF: Desafios na segurança hospitalar
A ocorrência deste domingo não é um caso isolado, mas um sintoma de um problema mais amplo. Hospitais, por serem locais de tratamento e recuperação, possuem uma dinâmica de acesso e circulação de pessoas muito diferente de uma prisão. Portas abertas, janelas acessíveis e a necessidade de movimentação de pacientes e equipes médicas criam pontos de vulnerabilidade que podem ser explorados por indivíduos determinados a fugir.
A Polícia Militar, responsável pela escolta, enfrenta o desafio de manter a segurança em um ambiente que não é seu habitat natural de operação, exigindo adaptação e protocolos específicos. A colaboração entre as instituições de saúde e as forças policiais é fundamental para revisar e aprimorar as estratégias de segurança, garantindo que a integridade dos pacientes, da equipe hospitalar e da comunidade não seja comprometida por falhas na custódia.
O precedente de um mês atrás e as investigações
Este é o segundo episódio de fuga de um paciente sob escolta policial do IJF em um período de apenas um mês. Em 4 de junho deste ano, Denison Correa Ferreira, de 33 anos, natural de Belém, no Pará, também conseguiu escapar. Ele estava internado no segundo andar da unidade e aproveitou um momento de alimentação e assepsia, quando estava sem algemas, para evadir-se sem ser notado pelos agentes.
À época da primeira fuga, a Polícia Militar informou que os policiais responsáveis pela escolta de Denison se apresentaram espontaneamente à Coordenadoria de Polícia Judiciária Militar e de Disciplina, onde foram ouvidos e foi registrado um termo de ocorrência. Denison Correia possui um histórico criminal no Ceará, com passagens por roubo e associação criminosa, e em 2019, foi transferido do sistema penitenciário do Pará para presídios federais por planejar uma fuga em massa naquele estado.
Após a fuga mais recente, o IJF comunicou o caso às autoridades competentes e afirmou estar colaborando integralmente com as investigações. A identidade do paciente que fugiu neste domingo não foi divulgada. O g1, que acompanha o caso, solicitou um posicionamento da Polícia Militar sobre a fuga do paciente escoltado, mas até o momento da publicação desta reportagem, não obteve resposta.
Os incidentes reiterados no IJF acendem um alerta para a necessidade de uma revisão profunda dos procedimentos de segurança e escolta em hospitais. A repetição de fugas em um curto espaço de tempo sugere que as medidas preventivas e de vigilância podem estar aquém do necessário para conter indivíduos de alta periculosidade. Acompanhe no News BV as atualizações sobre este e outros temas relevantes, com informação de qualidade e contextualizada.