Prefeitura de Fortaleza/Reprodução
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Há uma década, a paisagem urbana de Fortaleza começou a ser redesenhada por um fenômeno que, de início, gerou controvérsia e, hoje, é parte intrínseca do cotidiano: os aplicativos de transporte. Em uma sexta-feira de abril de 2016, as primeiras corridas via app marcavam o início de uma era que transformaria radicalmente a mobilidade na capital cearense. Este serviço, que enfrentou desde disputas acaloradas pela regularização até a adaptação da infraestrutura da cidade, consolidou-se como um pilar indispensável para milhões de fortalezenses.

Esta reportagem é a primeira de uma série do News BV que aborda os múltiplos aspectos e impactos do serviço de corridas por aplicativos de transporte em Fortaleza ao longo de uma década, explorando sua evolução de um serviço irregular para um componente essencial da vida urbana.

A Revolução na Mobilidade Urbana de Fortaleza

A chegada dos aplicativos de transporte em Fortaleza marcou um ponto de virada na forma como os cidadãos se deslocam. A Uber iniciou suas operações em 29 de abril de 2016, introduzindo a modalidade UberX, exclusiva para carros. No ano seguinte, a 99 também se estabeleceu na capital cearense, expandindo a oferta de veículos. A evolução do serviço incluiu a introdução de motocicletas, com a Uber Moto em junho de 2021 e a 99 Moto um ano depois, ampliando ainda mais as opções de transporte.

Essa expansão teve um impacto direto na mobilidade urbana e na própria estrutura da cidade. Observou-se uma diminuição no número de usuários do transporte público, tendência que foi acentuada pela pandemia de Covid-19. Além disso, a crescente demanda levou à criação de espaços dedicados a esses condutores e a alterações significativas no planejamento urbano da última década.

Oportunidades e Desafios para Motoristas e Usuários

Os aplicativos abriram um novo leque de oportunidades de ocupação para profissionais em busca de renda alternativa. Inicialmente, a atividade era vista como irregular, desprovida de impostos ou regras burocráticas. Contudo, a evolução do setor trouxe a necessidade de regularização e representação da categoria, visando garantir direitos aos trabalhadores que, frequentemente, enfrentam rotinas exaustivas.

Evans Sousa, motorista de aplicativo na capital desde setembro de 2016 e presidente da Associação dos Motoristas de Aplicativo do Ceará (AMAP-CE), testemunhou essa transformação. Ele descreve o trabalho como “viciante”, pela flexibilidade de horário e a possibilidade de ganhos superiores ao salário mínimo. “Deu oportunidade de trabalho para muitas pessoas que não têm acesso a uma profissão”, afirma Sousa, ressaltando a necessidade de disciplina para prosperar.

Do lado dos usuários, a fiscal ambiental Fernanda Araújo, de 28 anos, ilustra a dependência do serviço. Há seis anos, ela trocou o transporte público pelos aplicativos para praticamente todas as suas atividades. Fernanda destaca a segurança e o conforto como fatores decisivos, além da otimização do tempo em comparação com as viagens de ônibus, que considerava mais vulneráveis e demoradas.

A Jornada da Regularização e a Busca por Direitos

A consolidação dos aplicativos de transporte em Fortaleza não ocorreu sem embates. A novidade das plataformas, com a promessa de independência financeira, esbarrava na desconfiança popular e em intensos conflitos com taxistas, que viam seus espaços e clientes ameaçados. No início, o poder público realizava apreensões, pois o serviço não era regulamentado, gerando um cenário de “vilão” versus “solução da vida do motorista”, como lembra George Dantas, presidente da Empresa de Transporte Urbano de Fortaleza (Etufor).

Essa dinâmica começou a mudar com a aprovação de uma lei municipal em 8 de junho de 2018, que estabeleceu as regras para os aplicativos de mobilidade. No mesmo ano, Uber e 99 regularizaram sua situação junto ao poder público. A regulamentação trouxe benefícios como a verificação de motoristas e a vistoria anual dos veículos, garantindo um padrão de qualidade e segurança para os usuários. Para mais detalhes sobre a regulamentação, consulte o site da Etufor.

Dantas observa que, com a profissionalização, os motoristas passaram a buscar seus direitos de forma mais consciente. “Lá atrás, basicamente, o direito que se mostrava era o direito de poder trabalhar. Existia dentro da categoria […] o discurso da liberdade econômica”, explica. “Hoje, com a profissionalização, essas pessoas já têm uma consciência muito maior do que é bom, do que é ruim”, complementa, indicando uma evolução na relação entre a categoria e o poder público.

Evolução Tecnológica e Investimentos na Capital

A década de atuação também foi marcada por avanços tecnológicos significativos nas plataformas. Fabrício Ribeiro, diretor de Operações da 99, destaca as melhorias na usabilidade dos aplicativos, tanto para passageiros quanto para motoristas. “Na área de segurança, a gente criou muito algoritmo que faz modelo preventivo e atua melhor na prevenção de incidentes”, afirma Ribeiro, mencionando também a evolução dos algoritmos de precificação e campanhas para usuários.

A 99 tem investido acima da média em Fortaleza e em outras cidades do Nordeste nos últimos três anos, oferecendo preços mais competitivos para passageiros e campanhas para motoristas. Essa estratégia reflete o grande potencial de crescimento da capital, que possui uma população de usuários de transporte por aplicativo superior à média nacional, com mais de 1 milhão de usuários da 99 na região metropolitana.

A Uber, por sua vez, reforça seu compromisso com a segurança, destacando o Centro de Desenvolvimento Tecnológico no Brasil, inaugurado em 2018. A empresa anunciou um investimento de R$ 1 bilhão ao longo de cinco anos para a expansão do centro, que atualmente conta com 480 profissionais e visa alcançar 700 colaboradores até o final de 2025. Grande parte dos novos recursos de segurança do aplicativo é desenvolvida no país, com a participação de engenheiros e especialistas brasileiros.

Adaptações Urbanas e o Futuro do Transporte por Aplicativo

O intenso fluxo de passageiros e a consolidação das plataformas de aplicativo impulsionaram a necessidade de adaptações na infraestrutura urbana. Um exemplo notável são as “Paradinha”, espaços criados pela Prefeitura de Fortaleza e destinados exclusivamente aos condutores de aplicativo. Tais iniciativas visam organizar o tráfego e mitigar conflitos em pontos de grande movimento, como o Aeroporto Internacional de Fortaleza, que historicamente foi palco de tensões entre motoristas de aplicativo, taxistas e condutores irregulares.

Essas mudanças na paisagem urbana são um testemunho da profunda integração dos aplicativos de transporte no tecido social e econômico de Fortaleza. A cidade continua a se adaptar a essa nova realidade, buscando soluções que garantam a fluidez, a segurança e a inclusão de todos os modais de transporte.

Acompanhar a evolução do transporte por aplicativo em Fortaleza é mergulhar em uma década de transformações profundas na mobilidade e no mercado de trabalho. Para continuar por dentro das notícias mais relevantes, análises aprofundadas e conteúdos que impactam seu dia a dia, convidamos você a seguir o News BV. Nosso compromisso é trazer informação de qualidade, com credibilidade e uma variedade de temas que importam para você.

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