Ação da Polícia Civil contra o crime organizado no setor de telecomunicações
Uma operação deflagrada pela Polícia Civil do Estado do Ceará (PCCE) nesta quarta-feira (10) revelou um esquema criminoso que utiliza a força de facções para ditar regras no mercado de serviços digitais. Uma empresária, proprietária de um provedor de internet, foi presa sob a acusação de articular uma aliança com integrantes do Comando Vermelho (CV) para eliminar a concorrência e garantir o domínio territorial em áreas de Fortaleza.
A ação, denominada Operação Impacto – Fase VI, foi conduzida pela Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), com suporte do Departamento de Inteligência Policial (DIP). O objetivo central da investigação é desarticular um grupo apontado como ultraviolento, que estaria utilizando táticas de intimidação e ameaças diretas contra outros empresários do setor de telecomunicações para forçar a exclusividade de seus serviços em determinadas regiões da capital cearense.
Bloqueio de bens e desdobramentos da investigação
Além das prisões, a Justiça autorizou o bloqueio de R$ 3,5 milhões das contas bancárias dos investigados, medida que visa descapitalizar a estrutura financeira do grupo. Durante o cumprimento dos mandados, as autoridades apreenderam nove aparelhos celulares, veículos e diversos documentos que devem servir como provas robustas para o prosseguimento do inquérito policial.
Ao todo, foram cumpridos oito mandados de prisão e dez de busca e apreensão. Entre os detidos, um dos suspeitos já se encontrava custodiado no sistema prisional, enquanto os outros sete, incluindo a empresária identificada como Eveline de Freitas Fontenele, de 42 anos, foram capturados em liberdade. A lista de presos inclui ainda Marcelo Rodrigues Leite, Jonas Silva dos Santos, Francisco Weuber de Lima, Max Miliano de Freitas Cassiano, Roberto Alves da Silva, David Hudson Veras Fontenele e Natanaele Rodrigues Leite.
Contexto da Operação Impacto e o controle de serviços
A investida policial é um desdobramento direto de um esforço contínuo de inteligência, que teve início com a Operação Strike. O foco das autoridades é mapear a infiltração de organizações criminosas em atividades econômicas legítimas, como o fornecimento de internet, transformando serviços essenciais em ferramentas de controle social e financeiro. Segundo dados da Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), o ciclo de operações contra esse tipo de associação já soma 98 prisões desde julho de 2025.
As defesas dos acusados ainda não foram localizadas para prestar esclarecimentos sobre as acusações. Os detidos foram encaminhados à Delegacia de Capturas e permanecem à disposição do Poder Judiciário, enquanto a Draco segue com as investigações para identificar possíveis outros envolvidos no esquema de monopólio forçado.
O News BV segue acompanhando os desdobramentos deste caso e os avanços das investigações da Polícia Civil. Continue conectado ao nosso portal para informações atualizadas sobre a segurança pública e os fatos que impactam o cotidiano da nossa região com a credibilidade e a profundidade que você exige.