SSPDS/Reprodução
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A cúpula da segurança pública no Ceará tomou uma medida drástica após o desdobramento de uma das maiores apreensões de entorpecentes da história do estado. Os delegados Vicente de Paula Rodrigues, titular da delegacia de Acopiara, e Marcos Sandro Nazaré de Lira, delegado seccional da 4ª Seccional do Interior Sul, foram exonerados de seus cargos. A decisão ocorre em meio a uma investigação rigorosa sobre a condução da operação em uma fazenda onde foram encontrados cerca de 290 mil pés de maconha.

Contexto da investigação e denúncias

O caso ganhou repercussão nacional após denúncias feitas pelo deputado federal André Fernandes (PL), que visitou a propriedade rural e registrou imagens do que seriam resquícios da droga enterrados no terreno. O parlamentar questionou a eficácia da operação, alegando que o local teria sido abandonado pelas forças policiais antes da completa destruição do material ilícito. A denúncia colocou em xeque a estratégia adotada pelas autoridades estaduais para a custódia e incineração dos entorpecentes.

A exoneração dos delegados foi fundamentada na Lei nº 13.441, de 29 de janeiro de 2004, que veda a ocupação de cargos comissionados ou funções de chefia por policiais civis que estejam respondendo a processos administrativos disciplinares. Embora afastados das funções de comando, ambos permanecem nos quadros da Polícia Civil do Ceará (PCCE).

Defesa contesta procedimento administrativo

A Associação dos Delegados de Polícia do Ceará (Adepol-CE), por meio de sua assessoria jurídica, classificou a medida como precipitada. Os advogados Leandro Vasques e Seledon Dantas afirmaram, em nota, que a instauração do processo administrativo ocorreu sem uma apuração preliminar que delimitasse as responsabilidades de forma técnica. Para a defesa, a decisão possui contornos de prejulgamento e ignora a complexidade da operação.

“Lamentamos que se queira adotar essa toada a um caso tão sensível. Tal contexto não condiz com a imparcialidade que deveria nortear as investigações”, pontuou a defesa. Os advogados criticaram o que chamaram de “espetacularização” do caso, argumentando que a personalização da culpa em duas autoridades policiais desvia o foco de problemas institucionais mais amplos.

A versão oficial sobre a incineração

Em resposta às críticas, a Polícia Civil declarou que a operação de destruição da plantação foi concluída. Segundo o delegado Pedro Viana, diretor do Departamento de Polícia do Interior Sul, o material encontrado pelo parlamentar após a visita do governador Elmano de Freitas (PT) não seria droga, mas restos de vegetação e raízes. A corporação explicou que a técnica utilizada pelo Corpo de Bombeiros envolveu a escavação de valas para a queima controlada, visando evitar a propagação de incêndios na vegetação nativa.

O governo estadual reforçou que a área foi monitorada e que todas as medidas legais para a destruição do entorpecente foram seguidas. Enquanto isso, o Partido Liberal (PL) articula novas ações junto ao Ministério Público Federal (MPF) e à Polícia Federal (PF), buscando a preservação de provas e a apuração de possíveis atos de improbidade administrativa. O caso segue em aberto, com o arrendatário da área, Cristiano Rodrigues de Lima, ainda foragido, enquanto o proprietário da terra, João Holanda Neto, obteve a liberdade provisória.

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