feminicídio majorado pelo uso de meio cruel e recurso que impossibilitou defesa
Reprodução G1
feminicídio majorado pelo uso de meio cruel e recurso que impossibilitou defesa

O desfecho de um crime que chocou o Ceará

A Justiça Estadual do Ceará agendou para o dia 13 de julho o julgamento de Matheus Anthony Queiroz, acusado de assassinar a enfermeira Clarissa Costa Gomes. O crime, que vitimou a jovem de 31 anos com 34 facadas, ocorreu em julho de 2025, no bairro Jardim Cearense, em Fortaleza. O réu, que está preso preventivamente desde a época do fato, enfrentará o tribunal do júri sob a acusação de feminicídio majorado, agravado por meio cruel e recurso que impossibilitou a defesa da vítima.

O caso, que gerou forte comoção social, expõe a brutalidade da violência contra a mulher. Segundo a denúncia do Ministério Público do Ceará (MPCE), o crime foi motivado pela inconformidade do réu diante da decisão da vítima de encerrar o relacionamento. O histórico do casal, que se conheceu em um ambiente religioso, revela uma dinâmica de desgaste crescente, marcada por relatos de ciúmes e comportamentos abusivos que culminaram na tragédia.

Dinâmica do crime e o pedido de socorro ignorado

No dia do assassinato, Clarissa e Matheus estavam sozinhos na residência da família da enfermeira. Após participar de uma reunião de trabalho online, a vítima enviou uma mensagem de “SOS” para uma colega. Infelizmente, a mensagem foi interpretada erroneamente como uma dúvida sobre o conteúdo da reunião, uma vez que a enfermeira se comunicava apenas por texto durante o encontro virtual.

Minutos após o envio do pedido de ajuda, vizinhos relataram ter ouvido gritos de socorro e sons de impacto. De acordo com as investigações, o agressor utilizou uma faca da própria residência para cometer o ato. Após o crime, o acusado teria tomado banho e trocado de roupa antes de deixar o local. A prisão de Matheus ocorreu na mesma noite, nas proximidades do condomínio onde residia sua família.

Contexto de um relacionamento abusivo

Testemunhos coletados durante o inquérito policial revelam que Clarissa enfrentava dificuldades crescentes no namoro. A enfermeira, descrita por amigos como uma profissional dedicada e reservada, relatava episódios de grosseria e ociosidade por parte do companheiro. Matheus, técnico em gestão ambiental, teria tido dificuldades de manter empregos, inclusive em cargos conseguidos com o auxílio da própria vítima.

A pressão psicológica e os episódios de ciúmes levaram Clarissa a restringir sua presença nas redes sociais, em uma tentativa de evitar conflitos. Em junho de 2025, um mês antes de ser morta, ela já havia confidenciado a pessoas próximas o desejo de terminar o relacionamento, um passo que, segundo o Ministério Público, foi o estopim para a violência letal.

Legado de uma profissional dedicada

A morte de Clarissa Costa Gomes representou uma perda significativa para a área da saúde em Fortaleza. Formada pela Universidade Federal do Ceará (UFC), ela era especialista em neonatologia e atuava no Hospital Geral de Fortaleza (HGF) e no Hospital Dr. César Cals. Colegas de profissão destacam sua competência, acolhimento e o compromisso com o cuidado de recém-nascidos.

O impacto do feminicídio reverberou entre profissionais de saúde e a sociedade cearense, reacendendo o debate sobre a importância de identificar sinais de relacionamentos abusivos. A trajetória de Clarissa, marcada pela dedicação ao próximo, contrasta tragicamente com a violência que interrompeu seus planos de atuar em novas unidades hospitalares. Para mais informações sobre este e outros desdobramentos judiciais, continue acompanhando o News BV, seu portal de notícias com compromisso e transparência.

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