A colaboração decisiva do pai na captura dos suspeitos
O desdobramento das investigações sobre a tentativa de feminicídio contra Ana Clara de Oliveira, de 21 anos, revelou um detalhe crucial sobre a prisão dos responsáveis. Raimundo Nonato Acioli dos Santos, pai dos agressores Ronivaldo Rocha dos Santos e Evangelista Rocha dos Santos, foi o responsável por indicar às autoridades policiais o paradeiro de seus filhos logo após o crime. A brutalidade do ataque, ocorrido na madrugada do dia 1º de maio em Quixeramobim, no interior do Ceará, chocou a região.
Conforme consta na denúncia do Ministério Público do Ceará (MPCE), os policiais militares iniciaram diligências imediatas após tomarem conhecimento da gravidade do caso. Ao chegarem à residência de Raimundo, os agentes obtiveram informações precisas sobre os possíveis locais onde os irmãos estariam escondidos. Em depoimento, o pai dos acusados relatou que recebeu mensagens de Ronivaldo, nas quais o filho afirmava que Evangelista havia cometido o crime contra a jovem.
A dinâmica do crime e a crueldade da agressão
O relacionamento entre Ana Clara e Ronivaldo, que durou cerca de dois anos, era marcado por um histórico de conflitos e agressões físicas. Na noite do ocorrido, após uma discussão motivada por questões financeiras e o consumo de álcool, a vítima tentou encerrar a convivência, pedindo que o companheiro deixasse a residência. O desentendimento escalou quando Ana Clara atingiu o carro de Ronivaldo com uma pedra, desencadeando uma perseguição captada por câmeras de segurança.
Cerca de 20 minutos após o primeiro conflito, Ronivaldo retornou ao local acompanhado de seu irmão, Evangelista. Enquanto o primeiro instigava a violência, o segundo escalou o muro da residência portando uma foice. Segundo os autos, o ataque foi imediato e extremamente violento, resultando na amputação das mãos da vítima e em cortes profundos em outras partes do corpo. Os agressores fugiram do local acreditando que Ana Clara não sobreviveria aos ferimentos.
Investigação, provas e o pedido de indenização
A Polícia Civil obteve autorização judicial para a quebra de sigilo telefônico dos suspeitos, revelando diálogos que evidenciaram a falta de remorso dos envolvidos. Em mensagens trocadas logo após o ataque, Ronivaldo demonstrou preocupação exclusiva com as consequências penais que enfrentaria, enquanto Evangelista solicitava dinheiro para empreender fuga. A investigação concluiu que o crime foi premeditado e executado com requintes de crueldade.
Atualmente, o Ministério Público do Ceará pleiteia que a dupla seja condenada por tentativa de feminicídio. Além da pena privativa de liberdade, o órgão solicitou à Justiça que os irmãos paguem uma indenização de R$ 97.260,00 por danos morais à vítima. Ana Clara, que passou por uma cirurgia de emergência para reimplante das mãos, segue em processo de recuperação, enquanto os acusados permanecem detidos em um presídio na Região Metropolitana de Fortaleza.
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