Um grave acidente com desfecho trágico em Juazeiro do Norte, no Ceará, ganhou novos capítulos com a denúncia formal do Ministério Público. O advogado criminalista Roberto Johnatham Duarte Pereira, de 36 anos, foi denunciado por atropelar fatalmente o entregador Cícero Gomes Fonseca, de 42 anos, e fugir do local sem prestar socorro. A vítima, que lutou pela vida por semanas, não resistiu aos ferimentos e veio a óbito, gerando grande comoção e clamor por justiça na região.
O caso, que expõe a vulnerabilidade de trabalhadores de aplicativos e a impunidade em acidentes de trânsito, mobilizou a comunidade e as autoridades. A ação do Ministério Público busca responsabilizar o condutor não apenas pelos crimes de trânsito, mas também por homicídio qualificado, dada a gravidade das circunstâncias e a alegada omissão de socorro.
O Atropelamento que Chocou a Cidade
O acidente ocorreu em 14 de março, no Bairro Tiradentes, e foi registrado por câmeras de segurança, cujas imagens se tornaram cruciais para a investigação. Cícero Gomes Fonseca, no momento do ocorrido, estava a caminho de realizar uma entrega de açaí, cumprindo sua jornada de trabalho. O veículo conduzido pelo advogado fez uma conversão à esquerda, atingindo em cheio a motocicleta de Cícero. O impacto foi tão severo que o carro chegou a passar por cima da moto da vítima.
No entanto, em vez de prestar o auxílio necessário, o motorista do carro fugiu do local imediatamente após a colisão, deixando o entregador ferido na via. A cena, capturada pelas câmeras, revelou a frieza da ação e a total desconsideração pela vida da vítima, que permaneceu no chão até ser socorrida por populares.
A Luta Pela Vida e a Busca por Justiça
Após o atropelamento, Cícero foi prontamente socorrido e levado a uma unidade de saúde. Contudo, seu quadro de saúde era delicado. Portador de diabetes, as complicações decorrentes dos ferimentos foram severas. Ele precisou passar por uma cirurgia de amputação da perna esquerda, uma medida drástica para tentar conter os danos. Apesar de todos os esforços médicos e da esperança da família, Cícero Gomes Fonseca faleceu três semanas após o acidente, em 4 de abril, em decorrência das complicações causadas pelos ferimentos.
Durante o período de internação e após a morte de Cícero, sua família iniciou uma intensa campanha nas redes sociais. O objetivo era mobilizar a população e as autoridades para identificar o condutor do veículo e garantir que o responsável fosse levado à justiça. A pressão pública e a repercussão do caso foram fundamentais. Cinco dias após a morte do entregador, em 9 de abril, o advogado Roberto Duarte se apresentou na Delegacia de Juazeiro do Norte. Ele foi ouvido pelas autoridades e, posteriormente, liberado. A defesa do advogado não foi localizada pela reportagem.
A Denúncia do Ministério Público e o Dolo Eventual
Diante dos fatos e das evidências coletadas, a 12ª Promotoria de Justiça de Juazeiro do Norte, por meio do Ministério Público, formalizou a denúncia contra Roberto Johnatham Duarte Pereira. O advogado responderá por crimes graves: homicídio qualificado e por deixar o local do acidente para fugir da responsabilidade penal ou civil. A qualificação do homicídio é um ponto crucial na acusação, indicando que o MP entende que houve intenção ou que o réu assumiu o risco de causar a morte.
O Ministério Público sustenta que as ações do motorista foram além de uma simples imprudência. Segundo o órgão, após o primeiro impacto, o condutor teria dado marcha à ré, atropelando a vítima novamente, antes de empreender fuga. Essa sequência de eventos é utilizada para argumentar a existência de dolo eventual, ou seja, quando o autor, mesmo sem a intenção direta de produzir o resultado (a morte), assume o risco de que ele aconteça ao agir de determinada forma. Além da condenação criminal, a Promotoria solicitou a fixação de uma indenização mínima de R$ 100 mil por danos materiais e morais aos familiares da vítima, buscando reparar, ao menos em parte, a perda irreparável.
A denúncia do Ministério Público representa um passo significativo na busca por justiça para Cícero Gomes Fonseca e sua família. O caso reforça a importância da fiscalização no trânsito e da responsabilização de condutores que, por imprudência ou negligência, causam tragédias e tentam se eximir de suas responsabilidades legais e morais. A sociedade aguarda os próximos desdobramentos do processo, esperando que a justiça seja plenamente cumprida.
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