Frieza e pedido de dinheiro após o crime
Investigações da Polícia Civil do Ceará trouxeram à tona detalhes estarrecedores sobre a tentativa de feminicídio contra Ana Clara de Oliveira, ocorrida em 1º de maio, em Quixeramobim. Mensagens de texto trocadas entre os irmãos Evangelista Rocha dos Santos e Ronivaldo Rocha dos Santos logo após o ataque revelam que, em vez de socorro, a preocupação central da dupla era a fuga e as consequências penais do ato.
Em um dos diálogos obtidos por meio da quebra de sigilo telefônico, Evangelista, o autor dos golpes de foice, solicita R$ 1 mil ao irmão para “sumir”. Ronivaldo, que mantinha um relacionamento de dois anos com a vítima, responde com preocupação voltada exclusivamente para si, afirmando que “a culpa toda vai subir” para ele. O relatório policial destaca a ausência total de remorso ou humanidade por parte dos agressores, que discutiram a logística da fuga enquanto a vítima agonizava.
Dinâmica do ataque e a participação do mandante
O crime foi precedido por uma discussão entre o casal, motivada por desentendimentos financeiros. Imagens de câmeras de segurança registraram o momento em que Ronivaldo persegue a vítima e, posteriormente, retorna ao local acompanhado de seu irmão. O material audiovisual é peça-chave para a acusação: o mandante não apenas transportou o executor, mas entregou a arma do crime e incentivou o ataque com gritos de “pode matar ela”.
A Polícia Civil sustenta que a participação de Ronivaldo foi ativa e premeditada. Embora o executor tenha confessado o uso da foice, os investigadores apontam que a ordem direta dada pelo companheiro da vítima configura o crime de tentativa de feminicídio. A frieza demonstrada no diálogo pós-crime, onde os irmãos discutem quem seria o responsável pela “ruína” de suas vidas, reforça a tese de crueldade e desprezo pela vida humana.
Recuperação e procedimentos médicos
Após o ataque brutal, que resultou na amputação de uma das mãos e em ferimentos graves nos ombros, cotovelos e pernas, Ana Clara foi submetida a uma cirurgia de emergência no Instituto Doutor José Frota (IJF), em Fortaleza. O procedimento, que durou cerca de 12 horas e envolveu uma equipe multidisciplinar de 15 profissionais, foi considerado um sucesso técnico, permitindo o reimplante dos membros.
A vítima, que já deixou a Unidade de Terapia Intensiva (UTI), segue sob cuidados médicos e passou por intervenções adicionais para garantir a viabilidade dos tecidos reimplantados. O caso, que chocou a região, aguarda agora o oferecimento da denúncia pelo Ministério Público do Ceará (MPCE), que avaliará as provas documentais e os depoimentos colhidos durante o inquérito policial.
Contexto jurídico e desdobramentos
Os irmãos permanecem presos desde a data do ocorrido. Enquanto Evangelista admitiu a autoria dos golpes, alegando ter sido influenciado pelo irmão, Ronivaldo tentou alegar lapsos de memória devido ao consumo de álcool. No entanto, as evidências digitais e as imagens de monitoramento contradizem as versões apresentadas pela defesa, consolidando o indiciamento por tentativa de feminicídio com agravantes de meio cruel e recurso que impossibilitou a defesa da vítima.
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