O Hospital Infantil Albert Sabin (Hias), localizado no Ceará, implementou uma técnica inovadora para o tratamento da escoliose de início precoce em crianças. O método, conhecido como gesso de Mehta, é considerado uma alternativa segura, acessível e não cirúrgica para corrigir deformidades na coluna vertebral em pacientes com até 8 anos de idade.
A escoliose, caracterizada por uma curvatura anormal da coluna, apresenta desafios significativos quando diagnosticada em crianças pequenas. Quanto mais cedo a condição surge, maior a probabilidade de progressão da curvatura, podendo afetar o desenvolvimento do tórax, pulmões e coração, impactando o sistema cardiorrespiratório.
O ortopedista José Alberto Alves, do Hias, explica que a técnica do gesso de Mehta visa corrigir a coluna durante o crescimento infantil. O objetivo principal é retardar ou impedir o avanço da curvatura. O gesso é aplicado em centro cirúrgico, sob anestesia geral, e precisa ser trocado a cada três a quatro meses, conforme a evolução individual de cada paciente.
Maria Emily, de 5 anos, é uma das pacientes que tem se beneficiado do tratamento no Hias. Sua mãe, Amanda Feitosa, notou os primeiros sinais da escoliose quando a filha tinha apenas um ano de idade. Após ser encaminhada pela Policlínica, Maria Emily iniciou o tratamento no hospital e, em três meses, já apresenta sinais de melhora.
A implementação da técnica no Hias foi precedida por um curso teórico-prático sobre escoliose de início precoce, ministrado pelos médicos João Elias, da Universidade Federal do Paraná, e Rodrigo Grandini, do Hospital Infantil Joana de Gusmão (SC). Durante o treinamento, cinco pacientes foram beneficiados.
Segundo João Elias, o Hias é atualmente o único centro nas regiões Norte e Nordeste a oferecer o procedimento. A técnica do gesso de Mehta apresenta-se como uma opção eficaz para crianças pequenas, especialmente entre 2 e 3 anos, nos casos de escoliose idiopática (de causa desconhecida), e pode adiar a necessidade de cirurgia em crianças mais velhas, permitindo o desenvolvimento funcional do tórax e dos pulmões. O procedimento é considerado confiável, reversível e com resultados positivos, oferecendo uma alternativa menos invasiva e com menor risco de complicações em comparação com as cirurgias existentes.
Fonte: www.ceara.gov.br