A saúde mental na infância ganha destaque, com especialistas enfatizando seu impacto crucial no desenvolvimento infantil, nas relações sociais e na resiliência. Um ambulatório especializado no Hospital de Saúde Mental Professor Frota Pinto (HSM) tem registrado uma demanda crescente, com 2.967 atendimentos psiquiátricos realizados de janeiro a setembro deste ano, evidenciando a necessidade de acompanhamento especializado e ações preventivas.
No mês dedicado às crianças, o HSM intensifica atividades lúdicas como brincadeiras em grupo, leituras e jogos de tabuleiro, coordenadas por sua equipe multidisciplinar. Sara Barbosa, mãe de uma paciente de nove anos, relata progressos significativos após o acompanhamento no HSM, com melhora na agitação, irritabilidade e dificuldades de concentração da filha. “Essa assistência tem transformado nossas vidas”, afirma Sara, destacando a importância das mudanças na rotina, como a redução do tempo de tela e a prática de atividades físicas.
O coordenador do ambulatório, o psicólogo Wesley Ramos, ressalta que a atenção precoce à saúde mental pode transformar o futuro de uma criança, oferecendo ferramentas para um crescimento mais confiante e preparado para os desafios. Experiências traumáticas, instabilidade familiar, negligência, bullying e o uso excessivo de telas são apontados como fatores de risco, enquanto um lar estável e afetuoso é considerado um importante protetor.
Mudanças bruscas de comportamento, irritabilidade frequente, agressividade, isolamento, dificuldades de aprendizado e alterações no sono ou apetite são sinais de alerta. O psiquiatra Diego Mendonça enfatiza que a identificação precoce desses sinais, com o acompanhamento de profissionais qualificados, pode reduzir significativamente os impactos no desenvolvimento cognitivo, emocional e social da criança, prevenindo o agravamento dos sintomas na vida adulta.
“Metade dos transtornos mentais têm início antes dos 14 anos”, alerta Mendonça, destacando o papel fundamental de professores e educadores na identificação precoce, já que a escola é um ambiente onde a criança convive, aprende e expressa emoções.
O psiquiatra recomenda um ambiente acolhedor e seguro, com estímulo à atividade física, alimentação balanceada, sono regular e redução do tempo de tela. A voz da criança deve ser ouvida, e mudanças comportamentais devem ser consideradas. Caso haja suspeita de sofrimento emocional, a família deve buscar uma avaliação precoce. Mendonça também ressalta a importância do bem-estar emocional dos cuidadores, pois ele impacta diretamente a saúde mental da criança.
Fonte: www.ceara.gov.br