Após acordo trabalhista, nove trabalhadores resgatados de alojamento no Ceará voltam ao Maranhão
Reprodução G1
Após acordo trabalhista, nove trabalhadores resgatados de alojamento no Ceará voltam ao Maranhão

O drama dos operários em Maranguape

Nove dos quinze trabalhadores que viviam em condições degradantes em um alojamento na cidade de Maranguape, na Região Metropolitana de Fortaleza, iniciaram o retorno às suas casas no Maranhão entre a noite de quinta-feira (23) e a manhã desta sexta-feira (24). O grupo foi resgatado na última terça-feira (21) após uma denúncia encaminhada ao Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Construção Civil da Região Metropolitana de Fortaleza (STICCRMF).

Os operários foram atraídos ao Ceará por uma promessa de emprego que incluía salário e moradia. No entanto, ao chegarem, depararam-se com uma realidade de abandono: sem água encanada, móveis ou alimentação adequada, os homens dormiam em redes e sobreviviam em um imóvel precário. A situação de vulnerabilidade era agravada por ameaças, conforme relataram os trabalhadores ao sindicato.

Condições subumanas e ameaças

O relato do presidente do sindicato, Nestor Bezerra, descreve um cenário de privação extrema. Os trabalhadores, que em sua maioria possuem cerca de 30 anos, enfrentavam jornadas exaustivas sem a garantia de necessidades básicas. A alimentação era condicionada ao trabalho diário, o que levava muitos a passarem dias sem comer caso não estivessem aptos a exercer as funções exigidas pelo empreiteiro responsável.

Além da falta de infraestrutura, como geladeiras ou bebedouros, a comunicação com as famílias no Maranhão era precária e limitada. O impacto físico da situação foi visível: um dos operários relatou ter perdido mais de 20 quilos durante o período em que esteve no alojamento. O medo também era constante, com denúncias de ameaças feitas pelo encarregado da obra, o que impedia que os trabalhadores buscassem ajuda por conta própria.

Responsabilidades e desdobramentos jurídicos

A obra onde os homens atuavam faz parte do programa habitacional Minha Casa Minha Vida. Em nota oficial, a construtora Engeplan afirmou que contratou uma empresa terceirizada para a execução dos serviços e que adota protocolos rigorosos de segurança em seus canteiros. A empresa não divulgou o nome da terceirizada, que seria a responsável direta pela gestão do alojamento e pelo pagamento dos operários.

Após a intervenção sindical, foi realizado um acordo que garantiu o pagamento de verbas trabalhistas, incluindo salários atrasados, férias proporcionais e Participação de Lucros e Resultados (PLR). Os valores recebidos pelos operários variaram entre R$ 7 mil e R$ 13 mil. Apesar do acerto, o sindicato planeja judicializar o caso para buscar reparação por danos morais e pelos maus-tratos sofridos. O Ministério Público do Trabalho (MPT-CE) já instaurou uma Notícia de Fato para apurar as circunstâncias do ocorrido, enquanto a Polícia Civil de Maranguape segue com a investigação do boletim de ocorrência registrado pelas vítimas.

O futuro dos trabalhadores

Enquanto nove operários já retornaram ao Maranhão, outros seis trabalhadores ainda permanecem no Ceará. Eles avaliam os próximos passos e devem decidir sobre o retorno ou permanência nos próximos dias. O suporte dado pelo sindicato incluiu o auxílio na recuperação de pertences pessoais, que estavam no alojamento e eram de difícil acesso devido ao temor de represálias.

O caso expõe as fragilidades na fiscalização de subcontratações em grandes obras e a necessidade de monitoramento constante das condições de moradia oferecidas a trabalhadores migrantes. O Ministério Público do Trabalho reforça que a garantia dos direitos trabalhistas é apenas o primeiro passo para a reparação de uma situação que fere a dignidade humana.

O News BV segue acompanhando o desenrolar desta investigação e os desdobramentos judiciais deste caso. Continue conectado ao nosso portal para se manter informado sobre os temas que impactam a sociedade, com a seriedade e a profundidade que você exige.

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