Agricultor que encontrou petróleo no Ceará terá estudo para perfurar poço de água
Foto: Gabriela Feitosa/g1
Agricultor que encontrou petróleo no Ceará terá estudo para perfurar poço de água

Busca por água revela reserva de petróleo

O que deveria ser uma solução simples para a escassez de recursos hídricos em um sítio no interior do Ceará transformou-se em um caso de repercussão nacional. O agricultor Sidrônio Moreira, residente em Tabuleiro do Norte, a cerca de 210 quilômetros de Fortaleza, buscava perfurar um poço artesiano para sustentar sua lavoura e animais quando, em 2024, foi surpreendido por um líquido escuro e denso. Análises posteriores da Agência Nacional do Petróleo (ANP), concluídas em maio deste ano, confirmaram que o material encontrado no subsolo da propriedade de 48 hectares era, de fato, petróleo cru.

Sohidra avalia nova perfuração

Diante da impossibilidade de utilizar o poço original devido a questões de segurança ambiental e da necessidade contínua de água para a subsistência da família, a Superintendência de Obras Hidráulicas (Sohidra) interveio. O órgão informou que realizará, a partir de agosto, um levantamento técnico detalhado no terreno. O objetivo é identificar pontos geológicos seguros e viáveis para a perfuração de um novo poço, garantindo que o agricultor consiga acessar água potável sem comprometer a área onde o petróleo foi detectado.

O impasse entre a terra e a União

Embora Sidrônio seja o proprietário do sítio, a legislação brasileira, fundamentada na Constituição Federal, estabelece que o subsolo e todas as riquezas minerais nele contidas são de propriedade exclusiva da União. Por essa razão, a família permanece sob restrições de uso do terreno enquanto a ANP conduz um processo administrativo para avaliar a viabilidade econômica da jazida. Não há, até o momento, um prazo definido para a conclusão desses estudos técnicos ou qualquer garantia de que a área será explorada comercialmente no futuro.

Desafios financeiros e rotina no campo

Enquanto aguarda definições sobre o seu solo, o agricultor enfrenta uma realidade desafiadora. Com a lavoura prejudicada e a necessidade de manter o rebanho, Sidrônio lida com o peso de dois empréstimos bancários, um deles contraído justamente para custear a perfuração inicial que revelou o petróleo. Atualmente, o consumo doméstico é suprido por uma adutora, mas a falta de água para a produção agrícola tem gerado incertezas sobre a manutenção da renda familiar. Apesar das propostas de compra que recebeu após a repercussão do achado, o agricultor de 63 anos mantém o desejo de continuar em suas terras.

Perspectivas de compensação futura

Caso a ANP determine que a área possui potencial para exploração comercial, o processo de licenciamento e leilão pode levar anos. Se a exploração for concretizada, a lei prevê que o proprietário da terra receba um percentual de participação nos resultados, que pode chegar a até 1%, dependendo das avaliações técnicas. Por ora, o foco da família e das autoridades locais permanece na viabilização do acesso à água, essencial para a sobrevivência do cotidiano no campo.

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