Consumidores denunciam coação e preços abusivos em venda de doces na Expocrato
Reprodução G1
Consumidores denunciam coação e preços abusivos em venda de doces na Expocrato

A participação de uma doceria mineira na Exposição Agropecuária do Crato (Expocrato) tornou-se o centro de uma polêmica que mobilizou as redes sociais e órgãos de defesa do consumidor no Ceará. O que deveria ser um momento de lazer transformou-se em uma experiência traumática para diversos visitantes, que relataram ter sido coagidos a pagar valores elevados por fatias de doces após uma dinâmica de venda considerada confusa e abusiva.

Fiscalização do Decon e irregularidades na venda

Após a repercussão das denúncias, o Programa Estadual de Proteção e Defesa do Consumidor (Decon), vinculado ao Ministério Público do Ceará (MPCE), realizou uma fiscalização no estande da empresa Doceria Deleites. A equipe técnica constatou que o estabelecimento não apresentava informações claras sobre o peso e o preço final dos produtos, induzindo o cliente ao erro no momento da compra.

Segundo o promotor de Justiça Thiago Marques, a legislação consumerista exige transparência absoluta. O problema central identificado foi a ausência de parâmetros visíveis para que o cliente pudesse estimar o peso da fatia solicitada. Sem essa referência, o consumidor definia o tamanho do corte no “olhômetro”, sendo surpreendido apenas no momento da pesagem com valores que, em alguns relatos, chegaram a R$ 330.

Relatos de constrangimento e pressão psicológica

O caso de Priscila Justino, de 34 anos, ilustra a tensão vivida pelos clientes. Após viajar 125 km de Granito até o Crato, ela se viu em uma situação de extremo desconforto. Ao tentar desistir da compra após notar o peso excessivo das fatias, foi confrontada por funcionários que insistiam na obrigatoriedade do pagamento. “Eu paguei por vergonha”, desabafou a cliente, descrevendo a pressão pública exercida no local.

Outros consumidores, como o biólogo Márcio Holanda e o criador digital Wellington Barros, relataram experiências similares. Em diversos casos, os vendedores utilizavam abordagens agressivas, recusando a devolução do produto após o corte e pressionando os clientes a efetuarem o pagamento, inclusive com sugestões de parcelamento no cartão de crédito para contornar a falta de dinheiro imediato dos visitantes.

Posicionamento da empresa e desdobramentos

Em resposta às acusações, um representante da Doceria Deleites, identificado como Fausto, negou a existência de qualquer “golpe”. Em vídeo divulgado nas redes sociais, a empresa argumentou que trabalha com a venda de doces há anos em diversos estados e que a situação no Ceará seria fruto de um mal-entendido por parte dos clientes. A defesa sustenta que, uma vez que o produto é cortado conforme a solicitação do consumidor, ele não pode ser reaproveitado.

O Ministério Público, contudo, manteve a postura de rigor. O Decon emitiu recomendações para que o estabelecimento realize adequações imediatas na exposição de preços e na clareza das informações prestadas. Caso as diretrizes não sejam seguidas, a empresa poderá sofrer sanções administrativas, incluindo a interdição do estande no evento. Para mais informações sobre seus direitos, consulte o portal oficial do Ministério Público do Ceará.

O News BV segue acompanhando o caso e os desdobramentos da fiscalização na Expocrato. Continue conectado ao nosso portal para se manter informado sobre temas de relevância social, direitos do consumidor e as principais notícias que impactam o seu cotidiano com a seriedade e o compromisso que você já conhece.

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