Fiscalização aponta prática abusiva em stand de doces após denúncias de preços elevados
Reprodução G1
Fiscalização aponta prática abusiva em stand de doces após denúncias de preços elevados

Fiscalização do Decon identifica irregularidades em vendas

O Programa Estadual de Proteção e Defesa do Consumidor (Decon), vinculado ao Ministério Público do Ceará (MPCE), realizou uma fiscalização rigorosa no stand da Doceria Deleites, durante a Exposição Agropecuária do Crato (Expocrato). A ação foi motivada por uma série de denúncias de consumidores que relataram situações de constrangimento e cobranças excessivas, com valores que chegaram a R$ 330 por uma porção de doce após a pesagem no local.

Durante a inspeção, o órgão constatou que o estabelecimento falhava no dever de informar claramente o consumidor. A ausência de indicações precisas sobre o peso ou o tamanho das porções, aliada a uma estratégia de venda que induzia o cliente ao erro, configurou prática abusiva. O promotor de Justiça Thiago Marques, do Decon, enfatizou que o direito à informação deve ser transparente, permitindo que o comprador saiba exatamente o que está adquirindo antes de finalizar a transação.

Relatos de constrangimento e pressão comercial

O caso ganhou visibilidade nas redes sociais, onde diversos visitantes da Expocrato compartilharam experiências negativas. Segundo os relatos, os vendedores incentivavam os clientes a escolherem o tamanho da fatia “no olhômetro”. Após o corte e a pesagem, o valor final, muitas vezes surpreendente, era apresentado. Quando os consumidores tentavam desistir da compra ao perceberem o custo elevado, eram submetidos a uma pressão psicológica para efetuar o pagamento.

O empresário Breno de Freitas, um dos denunciantes, descreveu a abordagem como intimidadora. “O rapaz da balança começou a constranger a gente dizendo que, uma vez pesado, teríamos que levar”, afirmou. Outros clientes, como o biólogo Márcio Holanda e o criador digital Wellington Barros, relataram ter pago quantias superiores a R$ 100 por poucos pedaços de doce, sentindo-se compelidos a concluir a compra para evitar transtornos maiores no ambiente do evento.

Defesa da empresa e orientações do órgão

Em resposta às acusações, um representante da Doceria Deleites, identificado como Fausto, negou a existência de qualquer golpe. Segundo a empresa, o preço de R$ 19,90 por 100 gramas é anunciado, e a impossibilidade de devolver o produto após o corte seria uma medida de higiene exigida pela vigilância sanitária. A empresa afirmou que não há como mensurar com exatidão o peso de frações cortadas de barras de 25 quilos.

O Decon, contudo, reforçou que a falta de clareza nas informações viola o Código de Defesa do Consumidor. O órgão recomendou adequações imediatas na exposição dos preços e na forma de atendimento. Caso as exigências não sejam cumpridas, o estabelecimento corre o risco de interdição. O advogado especialista em Direito do Consumidor, Miguel Augusto Leitão, ressaltou que a prática pode ensejar reparação por danos materiais e morais, especialmente devido à forma ostensiva como a abordagem era conduzida.

O News BV segue acompanhando os desdobramentos desta fiscalização e o compromisso dos órgãos de controle em garantir a transparência nas relações comerciais durante grandes eventos. Continue acompanhando nosso portal para se manter informado sobre seus direitos e as notícias mais relevantes da sua região com a credibilidade que você merece.

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