Árbitras denunciam chefe de arbitragem da Federação Cearense por assédio e tentativa de estupro
Foto: Pedro Chaves / FCF
Árbitras denunciam chefe de arbitragem da Federação Cearense por assédio e tentativa de estupro

Quatro árbitras formalizaram denúncias graves contra Paulo Silvio dos Santos, presidente da Comissão de Arbitragem da Federação Cearense de Futebol (FCF), por episódios de assédio sexual e tentativa de estupro. Os relatos, que ganharam repercussão nacional, descrevem um padrão de comportamento abusivo que teria ocorrido ao longo de anos, utilizando o poder do cargo para constranger e prejudicar a carreira profissional das vítimas dentro da entidade.

Relatos de abuso e o uso do poder institucional

Uma das denunciantes descreveu um episódio ocorrido em 2023, durante uma confraternização que terminou em um motel. Segundo o relato, o dirigente teria tentado agarrá-la à força dentro de um quarto, ignorando repetidas negativas. A vítima afirmou que, mesmo após conseguir se desvencilhar e buscar refúgio no banheiro, foi seguida pelo acusado, que teria tentado manter o contato físico forçado. A árbitra relatou ter sentido medo e impotência diante da situação.

Outra profissional, que iniciou sua trajetória na arbitragem em 2018, relatou convites insistentes e inoportunos para encontros na casa do dirigente, muitas vezes em horários avançados da noite. Segundo o depoimento, ao recusar as investidas e iniciar um relacionamento afetivo, ela teria sido “escanteada” das escalas de jogos, o que culminou no estancamento de sua carreira e, posteriormente, em sua desistência da arbitragem em 2025.

Investigação policial e medidas protetivas

O caso está sendo conduzido pela 1ª Delegacia de Defesa da Mulher de Fortaleza, da Polícia Civil do Ceará (PCCE). A gravidade das denúncias levou a autoridade policial a solicitar ao Poder Judiciário medidas protetivas em favor de pelo menos uma das vítimas, visando garantir sua integridade física e psicológica diante do poder de influência do investigado.

O advogado das denunciantes, Bruno Vasconcelos, questionou a postura da FCF, argumentando que a entidade só iniciou uma apuração interna após a formalização do boletim de ocorrência. Para a defesa das vítimas, a medida administrativa parece ter sido motivada mais pela pressão externa e pela repercussão pública do que por uma iniciativa espontânea de proteção às mulheres que compõem o quadro de arbitragem.

Posicionamento da federação e defesa do acusado

Após a repercussão, a FCF anunciou a criação de uma comissão de sindicância, presidida por uma mulher, para investigar o caso administrativamente. Embora Paulo Silvio dos Santos tenha se licenciado do cargo por 30 dias, o diretor jurídico da entidade, Eugênio Vasques, assegurou que o investigado não retornará às suas funções enquanto as apurações estiverem em curso. A federação também determinou a preservação de documentos e proibiu qualquer contato entre o acusado e as vítimas.

Em nota oficial, a defesa de Paulo Silvio dos Santos negou veementemente todas as acusações, classificando-as como versões unilaterais. Os advogados do dirigente afirmaram que ele jamais praticou qualquer ato ilícito e que confiam na imparcialidade da investigação policial, reforçando a garantia constitucional da presunção de inocência durante o devido processo legal.

O caso expõe a necessidade de mecanismos mais robustos de proteção e denúncia dentro das entidades esportivas. O News BV segue acompanhando os desdobramentos desta investigação, comprometido em trazer informações apuradas e relevantes sobre os fatos que impactam a sociedade e o cenário esportivo regional. Continue acompanhando nosso portal para atualizações sobre este e outros temas de interesse público.

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