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O novo capítulo da disputa entre os irmãos Ferreira Gomes

As eleições de 2026 prometem ser o palco de um novo e decisivo capítulo na divergência política entre os irmãos Cid Gomes, atualmente no PSB, e Ciro Gomes, filiado ao PSDB. A disputa, que transcende o âmbito familiar e reverbera intensamente no cenário político do Ceará, ganha contornos de definição estratégica: enquanto o senador Cid Gomes confirmou sua pré-candidatura à reeleição ao Congresso, o ex-ministro Ciro Gomes articula seu retorno ao governo estadual após um hiato de 32 anos desde sua última gestão.

A oficialização da pré-candidatura de Cid Gomes ocorreu na terça-feira (14), consolidando uma chapa que conta com o apoio direto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Para compor a base, o senador terá como primeiro suplente o deputado federal Junior Mano, do PSB. Em contrapartida, Ciro Gomes, que lançou sua pré-candidatura ao Executivo cearense em maio, busca alianças em campos opostos ao petismo, aproximando-se de lideranças de direita e figuras como o deputado federal André Fernandes e o pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro, ambos do PL.

Raízes e a desintegração de uma hegemonia

A rixa pública entre os dois principais nomes da família Ferreira Gomes tornou-se evidente em 2022, marcando o fim de uma aliança de 16 anos entre o PT e o PDT no Ceará. Historicamente, essa união foi arquitetada pela dupla, com Ciro atuando como o mentor intelectual do projeto e Cid como o executor político. O cientista político Clayton Monte, que estuda a trajetória do clã há mais de uma década, destaca que a força do grupo residia na unidade e na capilaridade, mantendo mais de 300 lideranças sob uma mesma coesão.

O racha, contudo, não foi um evento isolado, mas o ápice de tensões acumuladas. O conflito sobre a sucessão de Camilo Santana, que deixou o governo em abril de 2022 para disputar o Senado, foi o estopim. Enquanto o grupo de Ciro e Lia Gomes defendia a candidatura de Roberto Cláudio ao governo, a ala de Cid, Ivo Gomes e Camilo Santana apoiava a continuidade da então governadora Izolda Cela. A insistência de Ciro em um nome que garantisse maior alinhamento à sua própria candidatura presidencial acabou por fragmentar a base aliada.

Repercussões nas urnas e o cenário atual

O impacto dessas divisões foi sentido de forma contundente nas eleições municipais recentes, especialmente em Fortaleza. O apoio de Roberto Cláudio, hoje presidente municipal do União Brasil, à candidatura de André Fernandes no segundo turno, contrastou com a vitória de Evandro Leitão, nome ligado ao PT. Este cenário de fragmentação ilustra como o antigo bloco, que dominou a política cearense por quase duas décadas, hoje se encontra em campos ideológicos distintos.

A movimentação para 2026 indica que o Ceará continuará sendo um laboratório de tensões nacionais. Com Ciro buscando apoio de bolsonaristas e Cid alinhado ao projeto lulista, a disputa não apenas renova a rivalidade entre os irmãos, mas também redefine as alianças partidárias no estado. O futuro político de ambos, e a influência que ainda exercem sobre o eleitorado, dependerá da capacidade de cada um em consolidar essas novas coalizões em um ambiente cada vez mais polarizado.

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