Foto: Reprodução
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Em meio às celebrações do São João, a culinária nordestina se destaca como um pilar de identidade e memória. O programa Nordeste Rural, em sua edição de domingo, 28 de junho de 2026, trouxe à tona uma iguaria que encapsula perfeitamente essa essência: o baião cremoso com macaxeira frita e carne de sol. Este prato, que é um verdadeiro ícone da mesa cearense, vai além de uma simples refeição, representando um elo com as raízes culturais da região.

A receita apresentada é uma versão aprimorada do clássico baião de dois, elevando-o a um patamar de sofisticação sem perder a alma sertaneja. Com a adição de ingredientes como nata, queijo coalho e até um toque de rapadura, o prato ganha uma textura “molinha” e um brilho que seduzem tanto o paladar quanto o olhar, prometendo uma experiência gastronômica inesquecível para quem busca o autêntico sabor do Nordeste.

O Baião Cremoso: Uma Joia da Culinária Nordestina

O baião de dois, em sua forma tradicional, já é um dos pilares da gastronomia nordestina, combinando arroz e feijão em uma união saborosa e nutritiva. No entanto, a versão cremosa com macaxeira frita e carne de sol, como a ensinada pelo chef Alexandre Costa, eleva essa base a um novo nível. A cremosidade é alcançada pela nata e pelo queijo coalho ralado, que se fundem ao arroz e feijão, criando uma consistência homogênea e suculenta.

Para o chef Alexandre Costa, a cozinha regional é mais do que apenas preparar alimentos; é um ato de preservação cultural. Ele ressalta que pratos como este baião cremoso são guardiões de memórias e tradições, transmitindo histórias e afetos através de cada garfada. A combinação de sabores e texturas, com o contraste da macaxeira frita e da carne de sol, faz deste baião uma experiência que remete diretamente às raízes do Nordeste.

Ingredientes que Contam a História do Ceará

A riqueza de um prato regional reside na qualidade e na autenticidade de seus componentes. Para o baião cremoso, a seleção dos ingredientes é crucial para replicar o sabor genuíno do Ceará. Confira o que você precisará:

  • 150g de feijão verde cozido
  • 300g de arroz parboilizado pronto (temperado com alho, pimenta de cheiro, óleo e sal)
  • 100ml de creme de nata
  • 100g de queijo ralado
  • 100g de queijo coalho em tiras
  • Manteiga da terra a gosto
  • 150g de carne de sol (sugestão: colchão duro)
  • 2 rapaduras
  • 70g de macaxeira frita
  • 3 ovos
  • Cebola e cheiro verde a gosto

Cada item tem seu papel: a macaxeira (ou mandioca/aipim) frita oferece uma crocância deliciosa, a carne de sol traz a intensidade e o sabor defumado característicos, enquanto a nata e o queijo coalho conferem a cremosidade e o toque salgado que equilibram o prato. A manteiga da terra, por sua vez, é a base aromática que inicia o refogado, e a rapadura adiciona um contraste doce-salgado surpreendente.

O Segredo do Preparo: Passo a Passo com o Chef Alexandre Costa

Preparar o baião cremoso exige atenção aos detalhes, mas o resultado é recompensador. O chef Alexandre Costa compartilha o método para garantir a perfeição:

O primeiro passo é cozinhar a carne de sol, preferencialmente o corte colchão duro, na panela de pressão por cerca de 30 minutos. Após esse tempo, separe as fatias que serão servidas inteiras e cozinhe o restante por mais 15 minutos, até que a carne esteja macia o suficiente para desfiar. O arroz parboilizado deve ser cozido previamente com alho, pimenta de cheiro, óleo e sal, garantindo grãos soltinhos. O feijão verde, por sua vez, cozinha apenas em água e sal.

Dica essencial do chef: tenha cautela com o sal, pois a nata e o queijo já contribuem com um teor salgado significativo ao prato.

Em uma panela aquecida, adicione a manteiga da terra e refogue a carne de sol desfiada com a cebola picada. Em seguida, incorpore o arroz parboilizado e o feijão verde cozido. O toque mágico vem agora: adicione a nata e o queijo coalho ralado, misturando delicadamente até que o baião atinja a cremosidade desejada. Finalize com o cheiro verde fresco, que realça o aroma e o sabor.

Para os acompanhamentos, aqueça bem uma frigideira (sem necessidade de gordura adicional) e frite as tiras de queijo coalho até dourarem. Na mesma panela, asse os pedaços de carne de sol reservados com rodelas de cebola, até ficarem no ponto certo.

A Experiência de Saborear a Tradição

A montagem do prato é um convite à degustação. O baião cremoso deve ser disposto no centro, com os queijos fritos por cima. Ao redor, organize a carne de sol acebolada, a macaxeira frita, os ovos, a paçoca e a rapadura. Essa apresentação colorida e farta é um banquete para os olhos antes mesmo da primeira garfada.

Segundo o chef Alexandre Costa, o verdadeiro segredo está em saborear cada item individualmente e, em seguida, misturá-los. Essa abordagem permite que os sabores distintos da nata, do queijo e da carne de sol se revelem plenamente, culminando em uma experiência que remete às mais profundas raízes nordestinas. “Isso aqui é tradição. É raiz, é memória”, sintetiza o chef, reforçando o valor cultural e afetivo deste prato.

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