Redes sociais/Reprodução
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Um adeus marcado por comoção e homenagens

O município de Juazeiro do Norte viveu, nos últimos dias, um cenário de profunda dor e solidariedade. Mais de cinco mil pessoas reuniram-se no Ginásio Poliesportivo da cidade para o velório coletivo de seis dos sete atletas e membros da comissão técnica que perderam a vida em um grave acidente de ônibus na CE-187, em Tauá. O grupo retornava de uma competição de basquete realizada em Sobral quando o veículo tombou na rodovia, na madrugada da última segunda-feira (15).

Entre os presentes, a atmosfera era de incredulidade e saudade. Familiares, amigos e colegas de equipe prestaram as últimas homenagens aos jovens, cujas trajetórias foram interrompidas precocemente. A sétima vítima foi velada no Centro de Velório Anjo da Guarda. O clima de luto estendeu-se por toda a rede estadual de ensino, que suspendeu as aulas na região como forma de respeito às vítimas, muitas das quais eram estudantes ou ex-alunos de instituições locais, incluindo o IFCE.

A paixão pelo esporte e o sonho interrompido

Para as famílias, a dor da perda é acompanhada pelo reconhecimento do legado deixado pelos jovens. Eleuza da Silva, mãe de Luiz José de Morais Neto, de 18 anos, resumiu o sentimento de muitos ao descrever o filho como um jovem dedicado e temente a Deus. “Morreu fazendo o que gostava”, afirmou, destacando que o basquete não era apenas um hobby, mas a própria vida do rapaz, que havia concluído o ensino médio em 2025.

O impacto da tragédia alcançou diversas escolas de Juazeiro do Norte, como a EEMTI Presidente Geisel e a EEM Governador Adauto Bezerra. A Secretaria da Educação do Estado informou que tem prestado suporte psicológico e social às comunidades escolares afetadas. O objetivo é criar um plano de acolhimento para que estudantes e professores possam processar o luto e preservar a memória dos colegas que partiram.

O relato de sobrevivência do treinador

O professor Ricardo Lemos, responsável pela equipe, tornou-se um símbolo de resistência em meio ao desastre. Em relatos emocionados, o treinador descreveu o esforço sobre-humano para salvar os atletas logo após o tombamento do ônibus. “Pela primeira vez tive que ver o potencial da minha força”, narrou, explicando que conseguiu romper o vidro da cabine do motorista para abrir uma rota de fuga para os sobreviventes.

Mesmo ferido, o foco de Lemos foi inteiramente voltado ao resgate dos jovens. Sua atuação, ao lado de outros sobreviventes, foi fundamental para que muitos recebessem atendimento médico a tempo. Segundo a prefeitura de Tauá, 31 pessoas precisaram de assistência hospitalar após o acidente. O caso, que chocou o Ceará, segue sendo acompanhado pelas autoridades locais, enquanto a comunidade esportiva busca forças para lidar com o vazio deixado pela equipe.

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