Um susto inesperado marcou o último sábado (13) para uma família residente na zona rural de Quiterianópolis, no interior do Ceará. O que começou com a descoberta de uma serpente na sala rapidamente se transformou em uma situação de tensão, com a localização de quatro cobras falsas-corais dentro da residência. A casa, onde moram uma mulher e seus dois filhos, uma adolescente e uma criança, tornou-se palco de um encontro inusitado com a vida selvagem, gerando preocupação e a necessidade de ação.
A experiência da família ressalta a proximidade entre ambientes urbanos/rurais e a natureza, levantando questões sobre como lidar com a presença de animais silvestres em espaços domésticos e a importância do conhecimento sobre a fauna local.
O susto inesperado na zona rural
A sequência dos acontecimentos foi descrita pela dona da residência, que registrou a situação em vídeo. O primeiro alerta veio da filha adolescente, que, ao entrar no quarto, se deparou com uma cobra na sala. Em um momento de pânico e instinto de proteção, a mãe buscou o que tinha à mão – um martelo – e agiu contra o animal. “A minha filha estava no quarto dela, quando ela chegou falando: ‘mãe, tem uma cobra aqui na sala’. Quando eu cheguei na sala, que eu peguei o martelo, que foi a única coisa que eu encontrei no momento, eu bati na cabeça dela (cobra) e a minha filha, com medo, foi para o quarto”, relatou a moradora.
O susto, contudo, estava longe de terminar. Pouco depois, a mesma adolescente encontrou uma segunda serpente em seu próprio quarto. Nervosa, ela se dirigiu à cozinha para beber água, onde se deparou com a terceira cobra. Em seguida, a mãe localizou o quarto animal no mesmo cômodo, intensificando a apreensão da família diante da inesperada invasão.
Falsas-corais: a identificação da bióloga
Diante da preocupação gerada pelo encontro com as serpentes, o vídeo gravado pela família foi analisado pela bióloga Thabata Cavalcante, que confirmou a identidade dos répteis. Todas as serpentes encontradas na casa eram falsas-corais. A especialista explicou as diferenças cruciais entre as falsas-corais e as corais-verdadeiras, especialmente na região Nordeste.
“Uma das diferenças entre as cobras corais-verdadeiras e as falsas, aqui no Nordeste, especificamente, as falsas têm a barriga branca”, detalhou a bióloga. Ela reforçou que no vídeo é possível observar uma listra branca no começo da barriga, característica que as distingue fortemente. Enquanto as falsas-corais possuem essa barriga branca, as verdadeiras apresentam a barriga completamente coberta por anéis pretos, vermelhos e brancos. Outras distinções incluem a cabeça mais fina e olhos maiores nas falsas-corais, em contraste com a cabeça arredondada e olhos muito pequenos das corais-verdadeiras, que vivem predominantemente debaixo da terra.
Riscos e a legislação ambiental brasileira
Apesar de não serem peçonhentas, as falsas-corais ainda podem representar um risco. “É um animal que pode morder, pode causar uma mordida, transmitir bactérias. Mas não tem risco de envenenamento como a coral-verdadeira”, esclareceu Thabata Cavalcante. A bióloga também tranquilizou sobre o comportamento desses répteis, afirmando que “não são animais agressivos, são animais extremamente tranquilos que estão ali, às vezes, porque é um lugar úmido, confortável, perto da mata, e elas não entendem muito bem o que é a casa delas e o que não é”.
É fundamental lembrar que, no Brasil, matar cobras ou outros animais silvestres pode ser considerado crime ambiental. A Lei nº 9.605/1998, conhecida como Lei de Crimes Ambientais, proíbe “matar, perseguir, caçar, apanhar, utilizar espécimes da fauna silvestre, nativos ou em rota migratória, sem a devida permissão, licença ou autorização da autoridade competente”. A pena para tal infração varia de seis meses a um ano de detenção, além de multa, com exceção para casos de legítima defesa comprovada.
Ação correta: como proceder ao encontrar cobras em casa
Diante do encontro com uma serpente em ambiente doméstico, a orientação primordial do Corpo de Bombeiros é acionar imediatamente o número 193. Os militares são treinados para realizar o resgate de forma segura, garantindo a integridade tanto dos moradores quanto do animal, que será posteriormente devolvido ao seu habitat natural.
O sargento Odair, comandante de salvamento, enfatiza: “De um modo geral, a orientação é não tocar nos animais quando estes forem encontrados em estabelecimentos ou casas e retirar crianças e animais domésticos das proximidades para evitar acidentes”. Tentar manusear ou tocar na cobra pode fazer com que ela se sinta ameaçada e reaja com um ataque. O tenente-coronel Luiz Claudio, comandante do 2º Batalhão de Bombeiros Militar, reforça a importância de acionar os órgãos responsáveis: “Apesar da maioria das cobras não apresentarem riscos, são animais que causam pavor e medo. Por isso, é importante sempre manter contato com os órgãos responsáveis para que façam o procedimento correto, evitando machucar o animal”.
Manter-se informado e seguir as orientações das autoridades é crucial para a segurança de todos e para a preservação da fauna silvestre. O News BV continua acompanhando os fatos e trazendo informações relevantes para você. Não deixe de conferir outros artigos e notícias em nosso portal para se manter atualizado com conteúdo de qualidade e contextualizado.