Abertura de procedimento administrativo pelo CNMP
A Corregedoria Nacional do Ministério Público (CNMP) instaurou, nesta quinta-feira (11), um procedimento administrativo para apurar a legalidade e a finalidade do pagamento de diárias que somam quase R$ 30 mil pelo Ministério Público do Ceará (MPCE). O montante foi destinado a dois promotores de Justiça para que acompanhassem a Copa do Mundo de Futebol 2026, realizada nos Estados Unidos, Canadá e México.
O corregedor nacional do MP, Fernando Comin, oficializou o pedido de explicações ao procurador-geral de Justiça do MPCE, Herbert Gonçalves Santos. O objetivo é esclarecer os contornos da chamada “missão institucional” que justificou o desembolso de recursos públicos. Entre os documentos solicitados estão os atos administrativos de autorização, a identificação dos participantes, a justificativa técnica da missão e os relatórios de atividades previstos.
Contexto da missão e justificativa institucional
Os promotores Dérick Funck Leite e Wander de Almeida Timbó, ambos vinculados ao Núcleo do Desporto e Defesa do Torcedor (Nudetor), foram designados para a viagem entre os dias 19 e 25 de junho. Segundo o MPCE, a participação dos membros ocorre por meio de uma comissão do Grupo Nacional de Combate à Violência nos Estádios (GNCOVE), ligado ao Conselho Nacional dos Procuradores-Gerais do Ministério Público dos Estados e da União (CNPG).
O órgão ministerial defende que a viagem possui caráter estratégico e técnico. De acordo com o MPCE, a agenda inclui o acompanhamento de protocolos de segurança, gestão de multidões e prevenção de conflitos em grandes eventos. O objetivo seria colher experiências que subsidiem o planejamento da Copa do Mundo de Futebol Feminino de 2027, que terá o Brasil como país-sede, incluindo Fortaleza como uma das cidades que receberão jogos na Arena Castelão.
Detalhes dos gastos e desdobramentos
Conforme publicado no Diário Oficial Eletrônico do MPCE em 28 de maio de 2026, cada promotor recebeu seis diárias, totalizando R$ 14.718,49 individualmente, acrescidas de uma ajuda de custo de R$ 200. O MPCE ressaltou que despesas como passagens aéreas e ingressos para as partidas não foram custeadas pelo erário, ficando a cargo dos próprios membros. Além disso, o procurador-geral Herbert Gonçalves Santos também possui autorização para viajar aos Estados Unidos em julho, com ajuda de custo de R$ 14.572,41, para tratar da preparação do mundial feminino de 2027.
A Corregedoria Nacional enfatizou a necessidade de transparência sobre os fundamentos administrativos e os custos envolvidos. O órgão aguarda a apresentação de relatórios, estudos e produtos institucionais que comprovem o retorno prático da missão para a sociedade cearense e para a segurança pública em grandes eventos esportivos. A repercussão do caso coloca em evidência o debate sobre o uso de verbas indenizatórias em missões internacionais de órgãos de controle.
O News BV segue acompanhando o desenrolar deste procedimento administrativo e trará novas atualizações assim que o Ministério Público do Ceará prestar os esclarecimentos solicitados pela Corregedoria Nacional. Continue acompanhando nosso portal para se manter informado sobre os principais acontecimentos do estado e do país com a profundidade e a credibilidade que você merece.