no Ceará TV Verdes Mares/Reprodução
Reprodução G1
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O desfecho de um crime planejado

O Poder Judiciário do Ceará encerrou, após três dias de intensos debates, o julgamento de um dos casos de feminicídio que mais chocou a região metropolitana de Fortaleza. Leonardo Nascimento Chaves, professor de inglês, foi sentenciado a 39 anos de reclusão e 2 anos de detenção, em regime fechado, pela morte de sua esposa, a contadora Kaianne Bezerra Lima Chaves. O crime, ocorrido em agosto de 2023, foi meticulosamente arquitetado pelo próprio marido para simular um latrocínio, visando o recebimento de uma apólice de seguro de vida avaliada em cerca de R$ 60 mil.

Ao lado do mentor intelectual, Adriano Andrade Ribeiro, apontado como o executor do homicídio, também recebeu uma condenação severa: 35 anos de reclusão e 2 anos de detenção, também em regime fechado. A decisão foi proferida no Fórum Manoel Florêncio Filho, em Aquiraz, local onde a trama de violência foi executada.

A farsa do latrocínio e as provas cruciais

Inicialmente, o caso foi registrado como um roubo seguido de morte. A narrativa apresentada por Leonardo sugeria que criminosos haviam invadido a residência do casal, rendido os moradores e assassinado Kaianne. Para conferir veracidade à cena, o professor chegou a solicitar que os executores o agredissem, tentando convencer as autoridades de que ele também fora vítima da ação violenta.

No entanto, a investigação da Polícia Civil, detalhada em reportagem do g1, desmoronou a farsa rapidamente. Imagens de câmeras de segurança de um shopping center registraram encontros estratégicos entre Leonardo, Adriano e um adolescente de 15 anos — que também participou do crime — horas antes da execução. Os registros visuais foram determinantes para que a polícia conectasse o marido à trama criminosa, revelando que ele não apenas planejou o ato, mas auxiliou os comparsas a retirar objetos da casa para simular o furto.

Contexto de conflitos e a dinâmica do crime

O assassinato de Kaianne, aos 35 anos, foi consumado por asfixia. Segundo os depoimentos colhidos durante o processo, a relação do casal enfrentava desgastes motivados, principalmente, por divergências financeiras causadas pelos gastos excessivos de Leonardo. Relatos de familiares indicam que a contadora já havia manifestado o desejo de se separar, o que teria motivado a decisão extrema do marido.

O desdobramento judicial também incluiu a participação de um adolescente, que cumpriu a medida socioeducativa máxima de 3 anos de internação. Já outro homem, Philipe Azevedo de Araújo, chegou a ser denunciado como corréu, mas foi impronunciado pela Justiça por insuficiência de indícios que sustentassem sua participação no júri popular.

Justiça e repercussão social

O julgamento, que contou com o depoimento de sete testemunhas, reforçou a gravidade do feminicídio no Brasil. A condenação de Leonardo e Adriano serve como resposta a um crime que utilizou a simulação de um assalto para ocultar a motivação torpe. A sociedade cearense acompanhou o caso com indignação, especialmente pela frieza demonstrada no planejamento do homicídio dentro do ambiente doméstico.

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