A reta final do julgamento em Aquiraz
Após 19 horas de intensos trabalhos divididos em dois dias de sessão, o julgamento de Leonardo Nascimento Chaves e Adriano Andrade Ribeiro foi suspenso na noite desta terça-feira (2). Os dois homens sentam no banco dos réus sob a acusação do assassinato da contadora Kaianne Bezerra Lima Chaves, crime ocorrido em agosto de 2023, na cidade de Aquiraz, na Região Metropolitana de Fortaleza. O júri popular, realizado no Fórum Manoel Florêncio Filho, deve ser concluído nesta quarta-feira (3).
O Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE) confirmou que o processo avançou para a fase de debates. Neste momento crucial, tanto a acusação quanto a defesa possuem um tempo limite de 2h30 cada para expor seus argumentos finais aos jurados. Após as explanações, será feita a leitura dos quesitos e a votação, que culminará na sentença final dos réus.
A trama por trás da simulação de latrocínio
O caso, que chocou o Ceará pela frieza do planejamento, revelou uma reviravolta dramática nas investigações da Polícia Civil. Inicialmente, o crime foi tratado como um assalto seguido de morte, ou latrocínio. Leonardo Nascimento, marido da vítima, chegou a sustentar a versão de que ele e Kaianne haviam sido rendidos por criminosos em sua própria residência. Para dar veracidade à farsa, o marido teria solicitado aos executores que o agredissem durante a ação.
No entanto, o trabalho de inteligência policial desmantelou a narrativa. Imagens de câmeras de segurança foram determinantes para o desfecho: os registros mostraram Leonardo em um encontro com os executores do crime em um shopping, momentos antes da invasão à casa. A investigação concluiu que o objetivo de Leonardo era receber o valor de um seguro de vida, estimado em cerca de R$ 60 mil.
Depoimentos e a dinâmica do crime
Durante os dois dias de julgamento, o plenário ouviu sete testemunhas, sendo quatro de acusação e três de defesa. O interrogatório dos réus também foi concluído nesta terça-feira. Segundo os autos, o adolescente de 15 anos envolvido na ação — que já cumpre medida socioeducativa de internação — detalhou como Leonardo facilitou a entrada dos criminosos e até indicou onde estava o objeto utilizado para asfixiar a contadora.
A participação de Adriano Andrade Ribeiro, motorista de aplicativo, também é central no processo. Enquanto Leonardo enfrenta a acusação de ser o mandante, Adriano é julgado pela execução direta do homicídio. Vale ressaltar que um terceiro denunciado, Philipe Azevedo de Araújo, foi impronunciado pela Justiça anteriormente por falta de indícios suficientes para levá-lo a júri popular.
Contexto social e repercussão
O assassinato de Kaianne Bezerra, aos 35 anos, deixou marcas profundas em seus familiares. Relatos apontam que a contadora já enfrentava conflitos conjugais devido aos gastos excessivos do marido e havia manifestado o desejo de separação. O caso é um exemplo trágico de como a violência doméstica pode ser camuflada sob aparências de normalidade, exigindo rigor das autoridades na investigação de crimes contra a vida.
Como o julgamento ainda está em curso, os jurados permanecem incomunicáveis em um hotel, conforme determina a legislação brasileira para garantir a imparcialidade da decisão. O desfecho deste caso é aguardado com expectativa pela sociedade cearense, que acompanha o desenrolar das sentenças. Para mais atualizações sobre este e outros casos de repercussão, continue acompanhando o News BV, seu portal de informação com credibilidade e compromisso com a verdade.