Uma advogada com ligações ao Comando Vermelho, Paloma Gurgel de Oliveira Cerqueira Bandeira, está sob investigação da Polícia Civil do Ceará por suposta tentativa de extorsão contra o deputado estadual Simão Pedro (PSD). O caso, que envolve ameaças e a cobrança de R$ 121 mil, expõe a complexidade das relações entre política e crime organizado no estado.
Paloma Gurgel, conhecida por defender figuras proeminentes da facção, como ‘Marcinho VP’, e apontada como integrante do grupo, é acusada de usar táticas intimidatórias para exigir o pagamento de uma dívida que o parlamentar supostamente teria com sua cliente, Bárbara Pinheiro. A advogada foi presa preventivamente em janeiro de 2026 e, em maio do mesmo ano, teve um pedido de liberdade negado pela Justiça.
A extorsão e as ameaças veladas
A investigação detalha que Paloma Gurgel utilizou o WhatsApp para enviar mensagens ameaçadoras aos assessores do deputado Simão Pedro. Nas conversas, ela não apenas cobrava os valores, divididos em R$ 70 mil e R$ 51.600, mas também fazia referências diretas a calibres de armas de fogo, como “fuzil ou 9 milímetro e .40 basta”, sugerindo um nível de coerção que extrapolava a esfera legal de uma cobrança.
As intimidações se aprofundaram com a advogada mencionando grupos criminosos e enviando reportagens sobre assassinatos de políticos no Brasil, como o caso do ex-prefeito de São Pedro (RN), Miguel Nasser, morto a tiros em fevereiro de 2025. Paloma Gurgel chegou a afirmar ter informações sobre o local de estudo do filho do deputado e o paradeiro de sua família, elevando o teor das ameaças e a percepção de risco. O Ministério Público do Ceará (MPCE) considerou que ela exercia o papel de “braço coercitivo e intimidatório da facção” Comando Vermelho.
Versões conflitantes e o contexto da dívida
O imbróglio teve início com um desentendimento entre o deputado Simão Pedro e Bárbara Pinheiro. O parlamentar e seu assessor registraram um boletim de ocorrência em novembro de 2025, alegando que Bárbara o havia ameaçado após um encontro em seu gabinete na Assembleia Legislativa do Ceará (Alece), em 23 de outubro de 2025. Simão Pedro afirmou ter visto Bárbara apenas uma vez e a conhecia “de vista” por questões políticas em Milhã, no interior do Ceará, alegando que ela tentou corrompê-lo e que ele a expulsou.
A defesa de Bárbara Pinheiro, por outro lado, nega as acusações e apresenta uma versão distinta. Segundo ela, o deputado e sua cliente já se conheciam há mais tempo e tiveram outros encontros, nos quais teriam tratado de emendas parlamentares e projetos de formação. Provas anexadas ao processo, incluindo imagens de encontros anteriores a outubro de 2025, contradizem a versão do deputado. Além disso, a defesa aponta que Bárbara atuou na intermediação de um projeto de formação entre a Escola Superior do Parlamento Cearense (Unipace), presidida por Simão Pedro, e Câmaras municipais, e também na captação de R$ 500 mil em recursos federais para o município de Orós, base política do deputado, que de fato recebeu a quantia.
Desdobramentos jurídicos e a defesa das acusadas
Bárbara Pinheiro foi presa junto com Paloma Gurgel em 23 de janeiro de 2026, mas foi solta no fim de março do mesmo ano. A defesa de Paloma, representada pelo advogado José Hélio Arruda Barroso, nega os crimes de extorsão, argumentando que a advogada atuou profissionalmente na cobrança de valores que sua cliente alegava ter a receber do parlamentar. A defesa também solicitou a soltura de Paloma, alegando que ela tem um filho de 8 meses com Síndrome de Down que necessita de cuidados permanentes e especializados.
Em fevereiro de 2026, o Ministério Público do Ceará (MPCE) denunciou Paloma Gurgel e Bárbara Pinheiro pelos crimes de extorsão e organização criminosa. Contudo, o processo foi remetido de volta à Polícia Civil para novas diligências, a pedido do próprio MP, indicando que a investigação ainda busca mais elementos para consolidar as acusações. O caso levanta questões importantes sobre a ética na advocacia, a influência de facções criminosas e a integridade do ambiente político, com repercussões que podem ir além do Ceará. O g1 teve acesso aos detalhes do processo, mas o deputado Simão Pedro não se manifestou sobre as acusações.
Este caso complexo, que envolve figuras políticas e acusações de crime organizado, continua a ser acompanhado de perto. Para ficar por dentro de todas as atualizações e análises aprofundadas sobre este e outros temas relevantes, continue navegando no News BV, seu portal de informação com credibilidade e compromisso com a verdade.