Foto: Divulgação
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A denúncia de abuso sexual feita por uma youtuber cearense de 16 anos contra o próprio pai, divulgada em um vídeo nas redes sociais no último sábado (16), trouxe à tona um grave histórico de violência familiar. A mãe da adolescente revelou que a família sofre há anos com episódios de agressão e intimidação por parte do homem, que já responde por violência doméstica e descumprimento de medida protetiva.

O caso, que ganhou grande repercussão devido à popularidade da jovem – que acumula milhões de seguidores em seu canal de jogos eletrônicos no YouTube –, expõe as complexidades e os desafios enfrentados por vítimas de violência intrafamiliar, especialmente quando há uma disputa pela guarda e alegações de inação por parte de órgãos públicos.

A denúncia e o histórico de violência familiar

A youtuber, com mais de 5 milhões de inscritos no YouTube, utilizou sua plataforma para relatar o abuso sexual sofrido quando tinha 11 anos. Em seu depoimento, ela descreveu um episódio traumático em que o pai a teria exposto sem roupas, ignorando seus pedidos e gritos. Além do abuso, a jovem narrou ter crescido presenciando a mãe ser agredida e ameaçada pelo pai, que também quebrava objetos em momentos de fúria.

A mãe da adolescente, em entrevista à TV Verdes Mares na última terça-feira (19), reforçou o relato da filha. “São anos que nós passamos de violência. Ela cresceu com o pai gritando, vendo a mãe sendo agredida”, desabafou. Essa declaração sublinha a natureza crônica da violência, que se estende por um longo período e afeta profundamente o desenvolvimento e a saúde mental da vítima.

Consequências psicológicas e a luta por proteção

Os anos de violência e o abuso deixaram marcas profundas na adolescente. A mãe relatou que a filha desenvolveu problemas como ansiedade, depressão e pânico, manifestando medo de sair de casa e crises cada vez que o pai se aproxima. “Toda vez em que ela ouve falar da aproximação do pai, do genitor, ela entra em crises”, disse a mãe, evidenciando o impacto devastador do trauma.

Apesar de mãe e filha possuírem medidas protetivas contra o homem, a eficácia dessas salvaguardas tem sido questionada. A youtuber denunciou que o pai, mesmo usando tornozeleira eletrônica, teria passado na frente de sua casa no domingo (17), infringindo as medidas. A família alega que as denúncias de descumprimento são frequentemente minimizadas pelos órgãos competentes, que as consideram “provas vagas”.

A atuação dos órgãos e as acusações de negligência

O caso está sendo investigado pela Polícia Civil do Ceará (PCCE), que informou apurar denúncias relacionadas a dois crimes: descumprimento de medida protetiva e um crime contra a adolescente, sem detalhar qual, devido ao segredo de justiça. O Ministério Público do Ceará (MPCE) também acompanha o caso, afirmando ter adotado medidas judiciais e extrajudiciais, incluindo escuta especializada da adolescente e a manutenção das medidas protetivas de urgência.

No entanto, a família da youtuber expressa profunda insatisfação com a condução do processo. A adolescente e a mãe acusam o Conselho Tutelar de Tianguá de negligência, alegando que o pai, por ter trabalhado na entidade como motorista, teria “amizades” e acesso a informações sigilosas do processo. O Conselho Tutelar de Tianguá, por sua vez, repudiou veementemente as acusações, destacando seu compromisso com a ética e a proteção integral de crianças e adolescentes. O Ministério Público do Ceará reiterou seu papel na defesa das vítimas e a seriedade com que o caso é tratado.

A disputa pela guarda e o clamor por justiça

Em meio às denúncias de abuso e violência, o pai da adolescente tenta reaver a guarda da filha, fazendo o que a jovem classifica como “denúncias falsas” contra a mãe, acusando-a de maus-tratos e cárcere privado. O advogado do pai, Muriell Aguiar, argumenta que o homem não se aproxima da filha há seis anos e possui provas de GPS para comprovar isso, confiando nas instituições que acompanham o caso.

Já o advogado que representa mãe e filha, Walisson Oliveira, defende que o pai deveria estar preso pelo descumprimento das medidas protetivas e que a tentativa de obter a guarda é uma forma de “destruir a família”. Uma audiência de instrução por descumprimento de medida protetiva de urgência foi marcada para o próximo dia 15 de junho. A adolescente e a mãe clamam por justiça e por uma atuação mais efetiva dos órgãos responsáveis, sentindo-se desamparadas diante da complexidade e da morosidade do sistema.

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