José Fornos Rodrigues, conhecido carinhosamente como Pepito, o amigo mais próximo e confidente de Pelé por mais de 50 anos, lança o livro “Pelé, o legado desconhecido”. A obra promete revelar um lado pouco explorado do Rei do Futebol: a vida de Edson Arantes do Nascimento fora dos gramados, um universo onde, segundo Pepito, residia o “melhor Pelé”.
Enquanto o mundo reverenciava o Pelé multicampeão, autor de 1.283 gols e estrela global por Santos e seleção brasileira, poucos tiveram a oportunidade de conhecer a fundo o homem por trás da lenda. Pepito, que conviveu com o Atleta do Século como empresário, amigo e confidente, acumulou meio século de histórias e bastidores que agora vêm à tona.
A gênese de “Pelé, o legado desconhecido”
A ideia de transformar essas memórias em livro surgiu, segundo Pepito, de uma “livre e espontânea pressão” de sua esposa e filhas. “Ninguém conheceu o Edson mais do que eu. Nós convivíamos mais um com o outro do que com as respectivas famílias”, explicou ele em entrevista à TV Brasil. A condição imposta pelo autor foi clara: mostrar o Pelé fora do campo, provando que sua grandeza ia muito além das quatro linhas.
Lançado no Museu Pelé, em Santos (SP), o livro de 160 páginas é dividido em 26 capítulos. A narrativa abrange desde o primeiro contato entre Pepito – à época, músico profissional – e o ídolo em 1962, até a morte de Pelé em 2022, aos 82 anos, em decorrência de um câncer de cólon. É um panorama completo de uma amizade que moldou a vida de ambos.
Uma parceria que começou por acaso
A conexão entre Pepito e Pelé teve um início inusitado. Em 1967, trabalhando como promotor de vendas na Varig, Pepito recebeu o desafio de conquistar o contrato do Santos Futebol Clube. “Finalmente, consegui. Foi em junho de 1969. Eles tinham um jogo na Itália [Recopa Mundial, contra a Inter de Milão]. E, como prêmio, a Varig me mandou junto”, recordou.
A viagem marcou o início de uma inseparável parceria. “Na volta, o Santos mandou uma carta para a Varig agradecendo e dizendo que, se fossem continuar voando com a empresa, era para eu ir junto. Não parei mais de viajar”, contou Pepito. Em 1971, quando Pelé se despediu da seleção brasileira, o convite formal veio: “o Pelé me convidou formalmente para trabalhar com ele. E comprou meu passe”, brincou o autor.
O coração gigante e a teimosia do Rei
Ao longo das décadas, Pepito testemunhou o carinho e a admiração que Pelé recebia em todos os cantos do mundo. Contudo, ele enfatiza que o lado mais generoso e humano do Atleta do Século permaneceu em grande parte desconhecido. “Ele tinha um coração maior que o Pacaembu“, afirmou Pepito, revelando histórias de altruísmo que o livro detalha.
Entre os atos de bondade pouco difundidos, Pepito menciona a construção de creches em Guarujá (SP) e São Vicente (SP), a manutenção de um asilo, a doação de dezenas de bolsas de estudo em universidades e o custeio de passagens e hospedagens para pessoas com doenças graves que precisavam de tratamento fora. Além da generosidade, Pepito também recorda a teimosia do amigo.
“A nossa convivência foi muito fraterna. A gente não brigava, mas discutia muito”, disse Pepito. “Eu falava o que ele precisava ouvir, não o que gostaria de ouvir. Para mim, ele não era o Pelé, mas o Edson“. Com “Pelé, o legado desconhecido”, José Fornos Rodrigues espera que o público possa, finalmente, enxergar a dimensão completa de um homem que foi gigante tanto dentro quanto fora dos campos.